Platonicidade

Posted by Italo Stauffenberg Marcadores: ,


Eu era feliz, organizada e tranquila até que um dia eu conheci alguém que mudaria minha vida. Liz Charpinter é meu nome. Não sou menina nem mulher. Prazer, eu sou Liz! Costumava ter uma vida normal e tinha muitas ambições com relação a projetos futuros. Era feliz e não sabia?
Um dia estava andando pelas ruas de New York (essas ruas tem muito o que contar) quando pela Quarta Avenida um rapaz cruzou meu caminho e derrubou todos os meus livros. Ele era alto, meio magro, de olhos azuis e o cabelo meio bagunçado. Estava meio apressado e nervoso. Parecia que algo o atormentava. Ele nem ligou pra mim.
Peguei meus livros e fui para a Universidade. Era meu primeiro dia lá. Sou aluna de intercâmbio e venho do Brasil. Aqui tudo é diferente, as pessoas são meio estranhas e eu gosto disso. Foi quando cheguei por lá e quem vejo? Ele, sim, o cara da Quarta Avenida! Ele estava mais calmo e seu olhar estava mais sereno. Parecia que era outra pessoa! Mas era quase impossível esquecer aquele semblante de outrora.
Para minha frustração, ele nem me reconheceu! Aqui você faz amigos bem rápido. Você se torna atração quando é estrangeira. Todos te paparicam e querem saber como é sua terra natal. Ele não! Desta vez, ele fitava os olhos em mim, distantes, distantes olhos azuis. Aquilo me desnorteava.
Um dia, falei dele para Sarah e... ela era melhor amiga dele! Ela tentou nos aproximar e algo aconteceu. Será que dessa vez vai rolar? Aquele menino mexia com meu ímpeto. Ele abalava minhas estruturas e sufocava meu ser. Não entendia porque aquilo acontecia comigo. Talvez eu não tenha me apaixonado antes, talvez eu ainda não soubese o que era amar.
Chris, esse era seu nome. Lindo, não? Eu achei. Como achava tudo nele lindo! Logo Chris começou a falar comigo e como sua voz era doce! Parecia que rios desaguavam sobre minha cabeça quando o ouvia falar. Ele era estudante de Jornalismo e eu fazia Publicidade.
Aquele menino dominava meu ser e das 24 horas do dia passava 2/3 deles pensando nele. Confesso que só quando dormia aquela ansiedade passava. E me perguntava: - Será que ele desconfia de algo? Será que ele percebe que olho para ele diferente? Os dias se passavam e a cada dia Chris se tornara mais meu amigo.
Confesso que ficava alegre por ele ser meu amigo. Foi quando descobri! Descobri que Chris tinha uma namorada (uma noiva para ser mais franca) no Estado do Arizona. Ela era linda, muito linda. A partir daquele dia meu mundo caiu. Minhas chances de mínimas parassam a ser infimas. Eu estava desnorteada. A menina era legal, interessante e acreditem logo ficou minha amiga. Tão minha amiga Linda (era o nome dela) ficou, que até me chamar para ser madrinha de casamento ela me chamou.
Bem, eu? So, I will forget You. Não poderia cobiçar algo que não me pretencia. Pertencia, de fato, a alguém que aprendi a ter respeito. A vida coloca cada situação em nossa vidas, não? Aquilo era angustiante. Doia todas as minhas entranhas. Meu amor era maior que eu. Chris casou. Eu fui madrinha e ainda me arrependo de nunca um dia ter tido a coragem de dizer: I love you! Será que poderia ter mudado o fim desta história? Não sei, o futuro não me pertence. Hoje, sou formada e estou a procura de um grande amor. Jogada em meus lençóis só resta a lembrança de um amor platônico, uma utopia. Quem sabe um dia, a paixão me pegue de jeito e eu aprendar novamente o que é amar.

Pauta para a 1º Edição do Sílaba Tônica - Imagem com Foto - So, I will Forget You.

1 comentários:

  1. Hellen R. de Azevedo

    Conheço bem amores platônicos, ótimo texto amigo! :D

 

2011 por Natalia Araújo 2013 por Allan Penteado. Exclusivamente para o blog Manuscrito. Cópia parcial ou integral é totalmente proibida.