O valor de viver

Posted by Italo Stauffenberg Marcadores: , , ,


      
      Lembro-me de minha infância como algo bom e  puro. De certo que nem sempre foram momentos bons. Eu tive lá uns momentos atribulados, mas nada que apagasse o teor simples e sincero que ela foi em si. Tenho saudades dela. Ela foi importante em minha vida. Quando somos crianças, somos inocentes. Não nos preocupamos com o alimento de amanhã, com uma possível conta para pagar e nem com o que vestir. Sabemos que sempre nada nos faltará por que nossos pais nunca nos deixarão na mão, certo?
      Na minha infância vivi muitos momentos de despedidas e isso fora um peso relativo para minha vida. Despedidas podem te deixar abalados, mas também podem te tornar uma pessoa mais forte. Acredito que se sou um rapaz maduro tudo se deve pelo fato de um dia ter passado pelas coisas que passei. Tudo me fez olhar para essas coisas com mais rigor e seriedade. Posso lhes dizer que um momento em especial me chamou atenção: a possível despedida do meu pai do meu lar e da minha vida. Não, ele não morreu. Apenas se separou da minha mãe e, talvez, da minha vida. Separar da minha mãe tudo bem, mas dos filhos? Sim, o dia dos pais já passou e não vale à pena mexer em possíveis feridas do passado. Sim, já o perdoei, mas aprendi que perdoar não é esquecer. Esse fato me marcou por que na despedida do meu pai (aquele momento que todo filho de pais separados bem conhece), quando ele fora buscar suas roupas e afins,  eu mesmo que fiz tudo. Sabe, no fundo no fundo eu já havia me preparado para esse dia mesmo tendo 10 anos. Não fora uma despedida ruim não. Pelo contrário, hoje começo a rir de como foi àquela cena.
      - Calma pai! Não vai embora não! Deixa-me fazer a tua mala! Você vai pra onde? Pra casa do tio? Espera que já te entrego - dizia como se fosse a coisa mais simples que acontecesse.
      Não, eu não me arrependo disto. Sei que isso foi necessário. Pelo rumo que as coisas estavam indo a separação seria o meio mais fácil para se resolver as coisas que estavam passando dos limites. Na minha adolescência pude viver algo que para muitos pode ser banal, mas para mim doeu muito. A despedida da casa onde morava. Sim, chorei muito. Passei 15 anos da minha vida convivendo com as mesmas pessoas e por motivos de separação de bens entre meu pai e minha mãe me vi na situação de me afastar de quem amava. A despedida não fora nada fácil. Parte da minha vida e meu convívio social ficou naquela casa, naquela rua. Se antes eu não saía com esses meus amigos, hoje, eu quase não sei o que significa esta palavra. Dou graças a Deus por que minhas amizades continuaram as mesmas e a distância não foi motivo para romper laços construídos por muitos anos.
      Dois fatos, duas vertentes. Um me faz rir apesar de ser sério e outro mexeu comigo apesar de ser banal em relação ao outro. Olha como são as coisas! Aprendi a ser mais forte com estes casos e a me superar. Hoje eu não sou infeliz por ser filho de pais separados e por morar distante dos meus amigos mais chegados. Sou feliz, muito feliz. Com isso tudo aprendi a valorizar mais a vida e quem está ao redor dela. Apeguei-me mais em Deus por que só Ele pode suprir nossas necessidades. Despedidas podem matar, mas constroem.

Texto premiado com o 3ª lugar na 99ª Semana do Blorkutando
 "Mais uma participação minha no projeto BLORKUTANDO. Fala de despedias e coloquei duas que considero importantes. Talvez você tenha passado por isto ou não. Mas se passasse? Como enfrentaria? Espero não ter fugido do tema. Galera, pra quem usa o TWITTER e gosta do que escrevo peço que sempre que fizerem alusão ao blog usem a tag #blogManuscrito. Tudo o que vocês escreverem com esta tag no  twitter aparecerá aqui no blog e ficarei muito feliz em saber o que vocês acham. De acordo? Grande abraço."

9 comentários:

  1. Natália

    Daria minha vida agora pra voltar a ser criança, fazer diferente, reviver a minha infância. beijo

  1. Ana Carolina Felix

    Olha que engraçado, eu entrei sem pretensão de ler este seu blog (já q vc tem 2 e eu li o outro e escrevi um comentario no outro tb) mas como eu abri 2 abas,cada uma com um blog seu, antes de desligar o pc resolvi ler este post. Nossa historia e parecida em alguns aspectos. Tb perdi meu pai, mas ele veio a falecer,diferentemente do seu. Minha idade era parecida, tinha 12 anos.. Com tantas perdas q tive só me fez amadurecer e ficar mais forte, tendo um olhar mais serio e real das coisas. me apeguei mais ao Senhor tb por tb conta disto, pois só Ele me entende e preenche o espaço em meu coração...
    Ler seu post me edificou! Bjãoo

  1. ' Jαdє Amσrιm

    Ai que coisa mais linda!
    Aff, me desbancou! Estamos concorrendo! oaksoaksoka
    Boa sorte para nós! rs

    Beeijos!

  1. Lucas Stefano

    Oi mano,tudo bem. Primeiramente vim aqui para agradecer o seu comentário no meu blog,foi de grande ajuda sabe. O post pode ter ficado menor ,mas concerteza ficou bem mais interessante. Nada que umas 20 linhas a menos não façam a diferença.rsrsrsrrsrsrs. Sim,o meu segundo motivo da minha visita,foi por que eu sempre gosto de ler os seus textos. São muito bons e além disso dão gosto de ler. Com este ultimo também não foi diferente. Muito bom mesmo. Sobre as perguntas feitas entre os aspas,não sei como reagiria sabe. A gente só sabe como agir em determinados momentos quando aquilo estiver acontecendo.É meio complicado. Ficaria muito triste em me mudar da minha casa. Muitas coisas boas ( e ruins ) aconteceram aqui . Mas se fosse preciso,que eu poderia fazer ,né? Mas como diria minha mãe " aquilo que não mata fortalece." ,acho que essa máxima vale também para situações como essas. Até mais Ítalo.

  1. Tiêgo

    Falou de infância, que nem eu! ;D Eu gostei, parente! Espero que nós façamos um pódio duplo no Blorkutando! ;D

    Abraço :) ótimo texto!

  1. Allan

    Infância, é mesmo uma fase única que marca o resto de nossas vidas, tanto é que muita gente por aí tem uma vida ruim por causa da infância, ou falta dela, porém Ítalo não podemos esquecer que sempre podemos viver uma segunda infância, levar as coisas na boa e para de se preocupar tanto (esse é um conselho que eu sigo).

    Sabe, acho que algumas pessoas ja nascem mais maduras, independente da infância, apesar que a minha também me alavancou para ser o que sou hoje, digo que é 50% culpa da infância kkkkk

    Mas é isso aí, o mais importante Ítalo é que você se tornou um homem de Valores, e não um revoltadinho da vida!!

    Abraço

  1. Jússia Carvalho

    Infância. Ai! Saudades da minha vida que era só para ler.
    Adorei teu espaço. Voltarei com frequência.
    :D

  1. Júlia

    Por mais clichê que pareça, todos nós eramos felizes e não sabiamos...
    Adorei aqui!
    Beijo

  1. Anônimo

    Il semble que vous soyez un expert dans ce domaine, vos remarques sont tres interessantes, merci.

    - Daniel

 

2011 por Natalia Araújo 2013 por Allan Penteado. Exclusivamente para o blog Manuscrito. Cópia parcial ou integral é totalmente proibida.