É DISSO QUE O BRASIL GOSTA?

Posted by Italo Stauffenberg Marcadores: , , , , , , ,


     Semana passada resolvi sair da faculdade e ir ver o filme sensação do momento: BRUNA SURFISTINHA. O filme fora estrelado pela atriz Déborah Secco. Para alguns que desconhecem tal pessoa, personagem ou seja lá o que ela se definia, Bruna Surfistinha era uma garota de classe média que tinha tudo e não deu o valor as coisas que tinha simplesmente pelo fato de querer ser independente.
      Mas você se pergunta: qual o problema em alguém querer ser independente? De fato, não há problema nenhum em uma garota de quase 18 anos querer ser independente e conquistar o seu próprio dinheiro sem depender dos pais. Acontece que a Bruna resolveu fazer isto de uma forma bem inusitada.
      A menina que se achava feia decidiu virar prostituta. Sim, prostituta? A sua dita “independência” foi conquistada através da prostituição. Não estou aqui para dizer se você acha isto certo ou errado, mas vamos a certos pontos de vista. O pensamento do povo brasileiro mostra que acredita que a garota de programa nutre pelo homem um sentimento de desprezo, uma vez que essas, em sua grande maioria sofreram abusos sexuais ou apanham de familiares. Por isso o cliente para ela é insensível e desprezível, assim deve se entregar sem emoção. Baseado em fatores econômicos, psicológicos, sociais e emocionais as mulheres que não tem outro meio de subsistência utilizam a prostituição como profissão.
      Para quem assistiu ao filme, essa explicação é bem real. No filme percebe-se o total desprezo da personagem principal, Bruna Surfistinha, pelos homens e até mesmo pelas próprias pessoas que a cercavam. O pesquisador Sambaray acredita que o ingresso na prostituição tem como determinante o fator econômico, em seguida temos o fim dos casamentos e o abandono da família juntamente com as dificuldades de se ingressar e se manter no mercado de trabalho. Ao iniciar essa carreira, na maioria dos casos, a expectativa que existe das mulheres é que a sua permanência não seja fixa, sentimento esse sempre alimentado pela vontade de conseguir outro trabalho, voltar a estudar, encontrar um companheiro e casar.
      Por sua vez, como já fora escrito, a personagem Bruna Surfistinha era de uma família de classe média e possui tudo o que qualquer garota poderia ter, mas decidiu abdicar de tudo para viver uma vida que, de fato, não é boa para ninguém. Com isso nos atrevemos a pensar: o que faz uma menina que tinha tudo largar amigos e família para se tornar prostituta? De fato, eu não sei. O filme relata a vida de outras garotas de programa que estão trabalhando nessa área por não terem estudo, por não terem outra forma de viver.
      O filme relata que a personagem consegue ganhar muito dinheiro “vendendo” seu corpo para “dar prazer” aos seus clientes. Não consigo acreditar que alguém que vive no meio da prostituição consegue se abster do álcool e das drogas e com a personagem não foi diferente. O que se torna revoltante é a própria mensagem que o filme traz em si, pois não conta só a história de uma menina louca que abriu mão de uma vida sadia para cair no mundo da prostituição, mas a conotação sexual em expor que viver nessa vida e ganhar dinheiro “fácil” não tem problema algum.
      O Projeto de Lei n 98/2003, de autoria do Deputado Fernando Gabeira, que não foi aprovado pela Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados, tinha como objetivo legalizar a prostituição e regulamentá-la, suprimindo os arts.228, 229 e 331 do Código Penal. O autor do projeto cita o exemplo da Alemanha que, em 2002, aprovou uma lei que tornou exigível o pagamento pela prestação de serviço sexual e também revogou do Código Alemão o crime de favorecimento da prostituição. O projeto não vigorou e fora arquivado.  
      O fato que deve ser posto em exclamação é que cada ser tem o livre arbítrio para fazer de sua vida o que quiser, mas infelizmente, esse apelo sexual ainda está impregnado ao povo brasileiro e infelizmente devo concordar com o que o humorista do programa Pânico na TV diz: É DISSO QUE O BRASIL GOSTA.

 Raquel Pacheco, Bruna Surfistinha, ao lado da atriz Déborah Secco na estreia do filme.
"Olá pessoal! Resolvi aparecer. Comecei minhas aulas na faculdade, mas estou esperando momento certo para ver se dá para lhes contar alguma coisa rentável do curso. Hoje, decidi escrever sobre isto. Acredito que muitos poderão discordar, mas estaremos sempre abertos a discussão ainda mais sobre um assunto tão polêmico como a prostituição. Arg, sim, eu li o livro O DOCE VENENO DO ESCORPIÃO antes de ver o filme. Um nem outro foi bom, apenas curioso, mas esse tipo de película e literatura não são de meu estilo. Um forte abraço. GOD BLESS."

17 comentários:

  1. Nathy

    Pois é...sabe que também me faço a mesma pergunta, sabe?! Não entendo! E é aí que a gente volta a falar como tem pessoas precisando de deus. Na certa essa menina, embora tivesse tudo que tinha, sentia um vazio enorme... precisava de algo pra se sentir alguém e foi na prostituição que ela encontrou isso. também assisti o filme, e é meio chocante. Além de que acho que a censura deveria ser para maiores de 18 anos. Acredito que infelizmente, há muito adolescentes com a cabeça pequena, sabe?! E o filme pode influenciar muitos... enfim!

    Belo post, como sempre!

    beijos!

    Deus o abençoe

  1. Lucas Stefano

    Hum... é um bom caso a se pensar .
    Fazer o que : É Brasil...

  1. Nanda Meireles

    Oi, rapaz! rs

    Olha, sinceramente, eu não desejo ver esse filme. Já imaginava o quanto ele seria apelativo e "nojento".

    Gostei da sua crítica imparcial. \o/

    Beijos

  1. Tiêgo R. Alencar

    Ainda não vi Bruna Surfistinha, mas li "O Doce Veneno do Escorpião" e adorei! Logo me veio à mente um filme baseado no livro, o que não tardou a acontecer. Bruna Surfistinha não relata só a história da Raquel Pachecho como também mostra a realidade de muitas garotas que se tornam independentes com a prostituição, sejam elas de classe baixa, média ou alta.

    Espero ver logo, tenho a infelicidade de morar num lugar cujo cinema só estreará o filme dia oito de março. DOIS MESES praticamente depois da estreia nacional D:

    Abraço :) Muito bom seu post, mesmo eu discordando de algumas coisas ^^

  1. Juliane Bastos

    Bom, primeiro eu não tenho nada contra o filme, olhei, gostei e acho que a Débora interpretou muuuito bem o papel, até porque acho a Raquel um pouco 'sem sal'.
    Se fosse pelos filmes que o Brasil apresenta, sua imagem estaria perdida, tudo bem é a nossa realidade, mas sei lá, acho que eles exageram um pouco.
    Enfim, acho que todo mundo tem o direito de fazer o que quiser e a Raquel teve a coragem que muitas meninas não tem e ficam se escondendo a vida toda na saia da mãe.

    enfim, isso ainda me deixa confusa demais. mas adorei o post. e sempre que der estarei por aqui. :D

  1. Leandro

    Beleza garoto

    Ótimo conteúdo de seu blog, linguagem simples que prende a atenção de todo!, sobre o assunto, acho que esse vazio da Bruna poderia e pode ser preenchido com a presença de DEUS, não estou aqui pra falar de religião, mas acho que todo mundo deve se apegar a algo ou ter algo que chamado "fé", para não deixar se influenciar muitas coisas.
    Essa é a realidade do BRASIL (falei algo semelhante a isso no meu site), é por isso que a mídia muitas vezes retrata o brasileiro com uma imagem negativa.

    Abraços e sucesso sempre!

    Leandro
    www.emquestao.org

  1. Rubi

    Ainda não tive tempo de assistir esse filme, não sei se eu vou gostar,a história me parece meio ... diferente, eu diria HAHA.

    Esse tipo de filme não me atrai muito, mesmo gostando pra caramba da protagonista. Quem sabe um dia eu assista.

    Parabéns pelo post!

  1. @ViictorBarross_

    hehe, verdade

  1. Ana

    Estou muito afim de ver o filme!!!
    legal o post, parabéns!!
    Ana

  1. Barbara Nonato

    Acho que o alarde feito em torno do filme denota a qualidade do pensamento da população e o quanto se valorizam banalidades aqui no Brasil.
    Não assisti o filme (e nem vou!) mas, também questiono o que faz uma pessoa nas condições financeiras e familiares dela optar por essa via profissional. é como se todos os valores estivessem mesmo deturpados (e isso sem falso moralismo).
    Apela-se pra tudo que apresenta conotação sexual de modo a atrair público e conseguir receita, essa é a grande verdade, infelizmente.

  1. leandro

    Não vi e não gostei.

  1. ser pensante

    Confesso não ter visto o filme ainda, mas li o livro e tenho ouvido muitos comentários a cerca do mesmo e eles são unânimes quando dizem: "filme sem mensagem, ou melhor... com a mensagem de que virar puta é algo que vale a pena". Não vou julgar sem ter assistido - inclusive sou fã da Deborah Secco e acho que ela tem um potencial enorme - mas, com base no livro, não vejo mesmo uma mensagem (positiva) que pode ser aproveitada.
    Infelizmente, é isso que brasileiro compra e é isso que da dinheiro porque o Brasil consegue produzir filmes ótimos que ficam 2 semanas em cartaz por falta de público ou simplesmente nem chegam ao cinema enquanto um "pornô para menores" vira sucesso de bilheteria.

    A gente muda o mundo na mudança da mente mas, até lá... isso é Brasil.

  1. Marcus Alencar

    Infelizmente, tenho que concordar com a afirmação do humorista sobre o que o Brasil gosta até porque essa questão envolve um circulo vicioso que não só se alimenta dos elementos citados como também permanece vivo porque existem pessoas que dão força pra isso, seja o cara que trai a esposa, o empresário famoso, o ator, o politico e por ai vai...

    Ainda não vi o filme e nem o livro e nem sei se pretendo também.

    abraços, parabéns pelo post também que traz uma interessante reflexão além de ao mesmo tempo falar sobre o filme.

  1. Christine Wengrzynek

    De fato é algo triste de ver como o Brasil dá "audiência" às maiores porcarias, não é a toa que lá fora a fama do Brasil não é nada boa, os filmes mostram o pior lado brasileiro. Bruna Surfistinha, como a Naty disse esse é um tipo de filme que pode sim influenciar menores, na verdade, qualquer pessoa que tenha a cabeça fraca, mas é isso, como disse o título, é disso que o brasil gosta.

  1. Marcia H. Lira

    Gosto muito do modo que você escreve, Ítalo. Ao contrário de muita gente que sai por aí, falando qualquer besteira, disseminando qualquer tipo de infomação, você mesmo sem curtir um determinado assunto procura ter conhecimento a respeito dele, por isso há no seu texto, não uma defesa de um ponto de vista unilateral, mas uma análise feita com propriedade. Mais uma vez, gostei muito!

    Parabéns *-*

  1. Marcia H. Lira

    Gosto muito do modo como você escreve, Ítalo. Ao contrário de muita gente por aí, você não sai falando qualquer besteira, disseminando qualquer tipo de informação, antes procura se interar sobre o assunto, mesmo sem gostar dele, por isso não há no seu texto uma visão unilateral,ms uma análise imparcial.

    Parabéns *-*

  1. Jacqueline

    Obrigada por seguir o meu blog.Seguindo...
    Parabéns pelo blog!

 

2011 por Natalia Araújo 2013 por Allan Penteado. Exclusivamente para o blog Manuscrito. Cópia parcial ou integral é totalmente proibida.