Análise do videoclipe BROKEN, Lifehouse

Posted by Italo Stauffenberg Marcadores: , , , , ,


      
      Antes de iniciar a abordagem audiovisual do videoclipe, faz-se necessário um breve comentário a respeito do objeto escolhido. O videoclipe a ser analisado se dá através da música “Broken” da banda norte-americana Lifehouse. O single faz parte do cd Who We Are lançado em 2007 pela referida banda. O vídeo fora dirigido por Kiefer Sutherland e produzido no ano de 2008. Os conceitos a serem utilizados para o estudo audiovisual do clipe serão fundamentados na pesquisa de Ángel Rodrígues (2006), Jacques Aumont (2007), Marcel Martin (2005) e Joly Martine (2009).

      O clipe se inicia com a rápida passagem da câmera pelo velocímetro do carro onde Jason Wade está no banco do motorista em companhia de Rick, Bryce e Ben, outros membros da banda. A câmera colocada em modo fixo observa a situação em que a banda se encontra enquanto Wade canta a música. Todos estão em um túnel onde pessoas estão andando sentido contrário ao que o veículo da banda está, imóvel. Ao observar isto, Wade sai do veículo e a câmera se desloca em sentido panorâmico e mostra um plano que chamamos de plano geral, que possui a função de passar uma referência mais específica do local, permitindo a identificação de pessoas, onde estas por sua vez, transitam no local.

      A seguir, os outros integrantes da banda saem do veículo e a câmera se desloca para cima do veículo dando um olhar vertical da situação. Jason é colocado em evidência diante da câmera e assume um plano chamado de meio primeiro plano, que consiste em capturar a imagem da pessoa em questão do tórax para cabeça. Entre várias seqüências de planos, vemos Wade e sua banda se deslocarem sentido oposto da multidão de pessoas que aparentemente saem do túnel fugindo de algo. A câmera várias vezes tenta captar o ambiente em que a situação se passa, mostrando o aspecto físico das pessoas e os carros parados evidenciando o plano geral já mencionado.

      Com o início efetivo da caminhada de Wade e sua banda pelo túnel evidencia-se um movimento de câmera bastante conhecido que chamamos de travelling. O travelling é o plano em que a câmara se desloca, horizontal ou verticalmente, aproximando-se, afastando-se ou contornando os personagens ou objetos enquadrados, sendo para isso utilizado algum tipo de veículo (carrinho), sobre rodas ou sobre trilhos, ou com a câmara na mão ou ainda com algum tipo de estabilizador. O travelling pode ser frontal (quando o deslocamento frontal for para trás há uma tentativa de expressar conclusão, afastamento no espaço ou psicológico e afastamento de um personagem que avança e quando o deslocamento frontal for para frente corresponde ao ponto de vista de um personagem que avança, ou então, a projeção do olhar para o foco de interesse), vertical (assume o papel de apenas acompanhar o personagem da ação) ou horizontal (assume uma função descritiva da ação).

      Continuamente, Wade caminha pelo túnel esbarrando nas pessoas que se locomovem em sentido oposto fazendo valer o movimento de câmera travelling e assumindo o plano meio primeiro plano até que em um segundo há um plano que chamamos de close que capta a imagem da pessoa do queixo para testa. Este tipo de plano é utilizado para expressar os sentimentos das pessoas, pois ocupando quase todo o campo visual da tela (seja da TV ou cinematográfica), o rosto faz que o espectador dirija toda a sua atenção para o sentimento do personagem, por isso o close também é conhecido como plano emotivo.

      Aproximadamente aos dois minutos e vinte e cinco segundos do clipe vemos um tipo de plano que chamamos de grande plano geral. Sua principal característica vem de sua função: passar ao espectador referência geográfica. É importante destacar que, pela distância da câmera para o objeto, é impossível se reconhecer uma pessoa, mas permite reconhecer a existência de uma multidão de pessoas. Geralmente, é utilizado no começo de uma seqüência para passar ao espectador a referência do local onde acontece a ação. No caso do videoclipe, o grande plano geral é utilizado para demonstrar que parte da história desenrolada no clipe se dá dentro de um túnel.

      Com a saída de Wade do túnel aproximadamente aos dois minutos e cinqüenta e três segundos do clipe vemos uma movimentação panorâmica de baixo para cima da câmera tentando focalizar a imagem de Wade diante da situação que se encontrava fora do túnel seguido de outros movimentos de câmera como o travelling. Estes movimentos de câmera visam captar a sensação de Wade diante daquilo que encontrou fora do túnel: um terrível acidente. A seguir, Wade observa uma garota olhando para as ferragens de um veículo onde ela mesma estava morta. Com o auxílio de outro movimento da câmera, Wade se depara com outro homem olhando para um óbito dando a entender que o cadáver em questão era seu. Logo após, Wade se depara com seu próprio corpo também preso nas ferragens de um veículo.

      Ao ver tal situação, a câmera focaliza o rosto de Wade exprimindo um sentimento de medo, de espanto fazendo com que este possa assumir alguns planos já mencionados anteriormente que fazem o personagem demonstrar seus sentimentos. Uma câmera fixa é colocada atrás do corpo inteiro de Wade assumindo aquilo que poderíamos chamar de plano conjunto. O plano conjunto passa uma idéia de conjunto. Ele é o que chamamos de um plano conceito, ou seja, ele não está preso a uma referência corporal (joelho, cabeça, cintura, tórax), mas sim a uma idéia que pretendemos passar.

      Em seguida Wade corre freneticamente de volta para o túnel exprimindo sentimentos de medo, angústia. A corrida de Wade é acompanhada de um travelling e a multidão que antes se encontrava locomovendo-se pelo túnel passa a acompanhar o sofrimento de Wade imóvel até que este chega a seu veículo e observa que ali se encontram todos os integrantes da banda. Em uma tentativa de alertá-los do que estaria por vir adiante, Wade bate desesperadamente no vidro lateral do veiculo para chamar a atenção de quem ali estava só que nada adianta. Os corpos de Wade e de sua banda permanecessem imóveis dentro do veiculo. Após isto, Wade acorda de um sonho, uma premonição, com a batida no espelho do veículo por um policial tendo em vista que o veículo de Wade estava atrapalhando o fluxo de veículos no túnel.

      Este tipo de procedimento narrativo subjetivo (premonição, sonho) já havia sido estudado por Marcel Martin que, segundo ele, busca materializar na tela o conteúdo mental de um personagem, e o fazem infringindo a exatidão realista e a verossimilhança representativa da imagem ou do som: em outras palavras, recorrendo a um arsenal de procedimentos expressivos mais ou menos simbólicos da interioridade do personagem (Martin, 2005: p. 186).

      Como fora analisado, o clipe não possui traços de opções narrativas pela possibilidade de acusmatizar o som como a dublagem, a ambientação musical e a criação de efeitos sonoros. O principal fator utilizado é a trilha sonora musical em relação às imagens passadas no videoclipe. Elementos fílmicos não específicos como iluminação, cenário, figurinos e cor são encontrados no clipe sendo que uns são mais acentuados que os outros.

      O cenário se divide em dois: o túnel e a saída do túnel. Martin chama isto de cenário realista, uma vez que este tipo de cenário retrata a realidade, aquilo que vemos. O cenário do vídeo clipe é em parte escuro e sombrio para denotar o estado de espírito dos personagens. O clima úmido e o aspecto amedrontador que o túnel pode ter foram bastante enfatizados no videoclipe. Aliado a isto está à sensação de suspense feita na medida em que não se sabia o porquê da multidão está se deslocando sentido oposto aos veículos dentro do túnel. Ao momento em que o personagem central descobre o que havia ocorrido fora do túnel, em outro cenário, este por sua vez de bastante comoção uma vez que mostra um terrível acidente, faz com que o personagem regresse ao túnel e desta vez, acentue um sentimento de pavor quando antes era motivado pela curiosidade

      Os figurinos dos personagens são contemporâneos e a nomenclatura dada a isto por Martin é de figurinos simbólicos já que estes figurinos não se preocupam com a exatidão histórica, mas, tem como característica principal os tipos sociais ou o estado de alma dos personagens. A iluminação não é utilizada para demonstrar um sentimento iminente, mas utilizada como fator iluminador do local tendo em vista que grande parte do clipe se passa dentro de um túnel.

 "Olá! Sei que muita gente parou no meio do texto (enorme, por sinal), mas, eu lhes disse que iria postar meu trabalho da faculdade sobre como analisar um clipe. Continuo a dizer que é uma forma bem simples de análise, mas, amei fazer isso. Eu passei nessa cadeira! HAHAHA' E só uma novidade: antes, eu fazia Comunicação Social (habilitação para Rádio & Tv) e esta manhã recebi minha aprovação para o mesmo curso, Comunicação Social, só que para habilitação de JORNALISMO. Tudo o que eu sempre quiz! Aleluia, Deus foi fiel! Abração!'

2 comentários:

  1. Marcos de Sousa

    Tem um mimo para ti lá no meu blog. Quando puder, passe por lá para buscar

    http://omundosobomeuolhar.blogspot.com/2011/07/conjugacao-de-um-amor.html

  1. Camila Locatelli

    estava com saudade daqui

 

2011 por Natalia Araújo 2013 por Allan Penteado. Exclusivamente para o blog Manuscrito. Cópia parcial ou integral é totalmente proibida.