Mudanças

Posted by Italo Stauffenberg Marcadores:



      Era virada a virada do ano e Noah estava trabalhando por que preferia passar o tempo na companhia de pessoas chatas e detestáveis do que estar ao lado de pessoas que havia perdido a confiança. Mas com a chegada do ano novo Noah se perguntou: o que tenho feito da minha vida? Por que continuar desse jeito? Por que não arriscar e mudar? Por que continuar omisso e deixar o tempo passar sem que nenhuma atitude surta efeitos (seja positivo ou negativo) em minha vida?
      A turma do serviço comemorou e brindou com Noah algumas taças de champagne e logo depois Noah foi para casa triste e sozinho. Ninguém se atreveu a ligar, ao menos, para lhe desejar um falso “feliz ano novo”. Aquele clima de rejeição tornava o pobre Noah a pessoa mais indesejada do mundo. A maciez do travesseiro não era o suficiente para acomodar o peso de sua consciência. Aquele ano que se passou parecia ter sido o pior de sua vida.
      Alguns meses se passaram depois daquela fatídica virada de ano. Noah já aparentava estar melhor (externamente). Por dentro, Noah continuava triste e solitário, mas ele decidiu arriscar. Tomou uma decisão importante e que poderia ter um efeito colateral em sua vida. Ele não imaginava que tal decisão afetaria todas as áreas de sua vida.
      Noah decide largar o emprego e se mudar para um novo país. Na verdade, Noah é formado em jornalismo e trabalhava como repórter em um jornal local da cidade de São Paulo. Ele fazia alguns “bicos” como fotógrafo de eventos e casamentos e o que ganhava dava para pagar o aluguel de seu apartamento e o carro que tinha parcelado em 72 vezes. Não, Noah não tinha namorada. Ele era tão dedicado ao serviço que não conseguia tempo para “amar”.
      A decisão de largar o emprego não foi fácil. Noah pensou durante um mês se tomaria ou não esta importante decisão. Durante este “longo” mês, Noah viu um anúncio na internet de um emprego na região do Québec, Canadá. Lá se fala tanto o inglês quanto o francês e estes dois idiomas eram bem conhecidos por Noah, pois ele havia feito durante alguns anos o inglês e estava formado em francês. O anúncio era para ser correspondente em um jornal do Québec sobre notícias relacionadas ao Brasil. De imediato, Noah entrou em contato com o jornal e viu a chance de mudar de vida tornar-se real.
       O que mais pesaria, a partir de então, na decisão do jovem Noah seria se adaptar ao novo país e aos seus costumes, mas, principalmente, as pessoas. Noah sempre foi reservado, frio, mas não calculista. Ele é uma espécie de Hulk: bruto por fora, mas sentimental interiormente. E quando Noah externava seus sentimentos parecia que o mundo estava para acabar. Entretanto, Noah decide arriscar e sair do país. O jornal Le Ville Du Québec o contratou e Noah decidiu largar toda a sua vida no Brasil. Vendeu o carro (faltava ainda umas 48 prestações para a sua quitação) e entregou o apartamento. Com o dinheiro que havia guardado durante alguns anos garantiu sua passagem “rumo à felicidade”.
      Chegando ao Canadá, Noah se apresentou no novo emprego e foi muito bem recebido pela nova turma de jornalistas do jornal. Os seus chefes pareciam ser bem apresentáveis. O Sr. Duvalle era bem sério e breve nas palavras. Era alguém que falava pouco e não era dado aos sentimentos, já a Sra. Duvalle era bastante alegre e contava para todo mundo que conhecia de suas viagens pelo mundo. Ela era a metade feliz do Sr. Duvalle. Eles tinham uma filha que era fruto do amor deles. Seu nome era Sophie. No novo emprego de Noah existiam muitos jornalistas. Entretanto, a proporção de homens sobre as mulheres era consideravelmente grande. 
      Noah tratou de firmar algumas alianças com alguns colegas de serviço. De imediato, conheceu Patrick D’Anjou. Ele era bem falante e costumava passar muito tempo conectado a internet. Sabia de tudo o que acontecia no mundo por que o seu celular era a sua principal ferramenta de trabalho. Depois, Noah conheceu Antoine Martin que não era jornalista, mas trabalhava no jornal como técnico de redes. Ele falava muito pouco, mas quando lhe davam oportunidade para expressar o que pensava se tornava outra pessoa.
      A Sra. Duvalle recebia, frequentemente, o Dr. Avelinis, um psicólogo recém-formado que se achava o mais douto e importante psicólogo do mundo só por que havia feito uma pesquisa na área da psicologia hospitalar que havia tomado grandes proporções na área do Québec. Ele era bem reservado e tinha um olhar fulminante. Não gostava de se apresentar para novas pessoas, mas era bem dócil quando se tratava de ajudar as pessoas.
      Outra pessoa que Noah tratou em observar foi o motorista do jornal. Ele se chamava Renauld Bourge. Ele tinha uma namorada que era estudante em psicologia e viva a falar dela (o tempo todo, precisamente). Renauld também estudava em uma faculdade e tinha o sonho de se casar e ser um excelente pai de família. Havia também no jornal, as secretárias da Sra. Duvalle. Mulheres lindas e de personalidades opostas. Uma era morena e a outra mais alva do que a neve. Uma se chamava Catherine e a outra Normandie. Cada uma disputava a atenção da Sra. Duvalle, mas ambas  tinham o respeito e extremo carinho da chefa.
      A cozinheira do jornal se chamava Dona Gigi. Ela era casada e tinha uma filhinha linda que perguntava tudo. O seu nome era Brigitte. Ela passava o dia todo correndo pelo jornal com a filha da Sra. Duvalle e ambas aprontavam muitas traquinagens com os repórteres do jornal. Outra pessoa que chamou a atenção de Noah foi o assessor do Sr. Duvalle. Ele andava pelo jornal com um headfone no rosto e falava o tempo todo com várias pessoas ao mesmo tempo. Andava cheio de celulares e seu iPad era inseparável. Seu nome era Lévi Strauss.
      Dentro do jornal havia dois irmãos que haviam fundado o jornal junto com o Sr. Duvalle e, este tinha grande apreço por aqueles dois. Os seus nomes era Damien e Benjamin. Damien era formado em música e escrevia uma coluna no jornal, somente, de música. Ele havia estudado com o Sr. Duvalle na faculdade e quando se formaram decidiram abrir um jornal. Benjamin era o repórter que fazia a cobertura das principais festas locais e também era DJ aos finais de semana. Benja, como era bastante conhecido, era bem rude com algumas pessoas, mas quando solicitado fazia questão de honrar com suas palavras e agradar as pessoas.
      O Sr. Duvalle havia contratado, recentemente, um rapaz chamado Eric para auxiliá-lo na entrega dos jornais para os assinantes, mas esse garoto era terrível. Não se aquietava, falava o tempo todo e tudo, para ele, era motivo de piada. Às vezes, ele irritava bastante os repórteres da redação do jornal, mas a sua alegria contagiava a todos.  Eric era sempre chamado atenção por Henri Pompidou, o redator do jornal. Ele tinha os olhos verdes e era o queridinho das mulheres do jornal. Todas tinham uma “quedinha” pelo “gatinho de olhos verdes”, mas todas também sabiam que Henri tinha uma relação mal resolvida com uma cantora de pé de estrada que se chamava Felícia. Ela tinha uma irmã bem atrevida que se chamava Fenícia e esta assessorava sua irmã na carreira musical. Fenícia queria juntar os dois para que Henri promovesse a carreira da irmã no jornal.
      O setor de recursos humanos do jornal era chefiado pelo Sr. e a Sra. Fontana. Eles eram conhecidos dos donos do jornal e tinham vindo da Itália para o Canadá há poucos anos. Falavam um inglês bem ruim e o francês puxava muito para o italiano. O Sr. Fontana era bem baixinho e muito engraçado. Ele divertia a todos na redação do jornal. A Sra. Fontana falava muito e gostava muito de comer uma boa comida italiana.
       No dia em que Noah foi contratado pelo jornal, outros dois jornalistas foram admitidos. Uma se chamava Cady Harris e passaria a escrever sobre moda. Ela tinha um blog na internet que se tornou bastante conhecido, pois ela com ajuda de amigos tirava várias fotos com vários looks diferentes ajudando as meninas da cidade a como se vestir. O outro repórter contratado se chamava Ted Jr. Ele era um rapaz bem comunicativo e tinha a fala bem estranha. Todos se divertiam muito com essa figura. Ele passaria a escrever sobre Deus no jornal, uma vez que, detestava quando o chamavam de religioso. Ted tinha um namoro, aparentemente, estranho com Clarisse Jenkis, filha do pastor de uma igreja protestante perto do jornal. Eles namoravam, mas não se beijavam. Ted Jr queria se casar a todo custo e só falava em como amava sua namorada.
      Sendo assim, Noah passou a conviver com novas pessoas que tinham hábitos e histórias diferentes. Com o passar dos meses, Noah foi adotando as pessoas daquele jornal como a sua família e já não lembrava mais de como tinha uma vida sofrida no Brasil. O que ficou para trás, ficou. Tudo se tornou novo na vida de Noah. Noah estava prestes a passar a virada de um novo ano com novas pessoas, mas com uma coisa diferente. Ele estava feliz.

"Olá, turma da blogosfera! Quanto tempo, hein? Nem lembro mais qual foi meu último post aqui e nem sei se vocês vez ou outra passam por aqui para saber o que eu escrevo, mas tem se tornado bem difícil aparecer por aqui. Problemas de família, com o acesso a internet ou a preguiça de, simplesmente, escrever? Sim, a preguiça. Essa “carniça” tem feito eu não aparecer por aqui e lhes contar algo da minha vida ou algum conto que, aparentemente, se parece bastante comigo. Todavia, hoje decidi lhes escrever sobre algo que tem norteado muito a minha vida: a família."

1 comentários:

  1. Alquimista de Sonhos

    Ora carniça kkkkkkkkk
    Mas fazia tempo sim que eu não passava aqui... Aliás, voltei há pouco tempo à blogosfera hehehe Inclusive, já quase tinha esquecido o quanto gosto dos seus posts, e esse não é diferente (meio clichê isso, mas é vero).

 

2011 por Natalia Araújo 2013 por Allan Penteado. Exclusivamente para o blog Manuscrito. Cópia parcial ou integral é totalmente proibida.