#VemPraRua São Luís!

Posted by Italo Stauffenberg Marcadores: , , , , , , ,


 
 por Paula Francinete, 18, sobre a manifestação feita nas ruas de São Luís, Maranhão, por mais de 10 mil jovens no dia 19 de Junho de 2013.

      Ontem presenciei uma das situações mais marcantes de minha vida. Ao meu ver posso dizer que,  “participei da história”. O movimento #VemPrarRua representou o fim de um silêncio que identificava uma sociedade alheia e cúmplice de uma política pública vergonhosa. Defendo o pensamento de que o povo não é vítima da situação que vivemos em São Luís, Maranhão, e nem em qualquer outro lugar do Brasil ou do mundo. Não defendo a ação de políticos corruptos e inescrupulosos, mas tenho consciência de que eles só estão onde estão (ocupando cargos públicos) e só fazem o que fazem porque nós, enquanto sociedade, os elegemos e nos calamos posteriormente. A prova disso é que quando o silêncio é rompido a situação começa a mudar.
      O que presenciei foram jovens cansados de ver uma realidade definitiva e imposta sendo escrita. Se digo definitiva e imposta é porque o que mais ouvimos da própria população e de outros  observadores passivos de outros lugares é que “as coisas nunca vão mudar” , “que não tem jeito mais pra gente”, e após fazer uma reclamação, dizer: “é, mas é assim mesmo, vamos fazer o quê? O jeito é aceitar”. Fomos às ruas dizer que não! O jeito não é aceitar, o jeito é questionar e reivindicar para que a situação seja mudada.
      Houve tumulto ao fim da manifestação. Muitos cartazes com dizeres que expressavam a revolta da população foram erguidos pelos manifestantes durante todo o percurso. Material explosivo foi lançado por parte dos manifestantes na Praça Dom Pedro II. Vidros foram quebrados (um deles, inclusive, logo atrás de mim quando estava tirando fotos do confronto). Houve diversas tentativas de invadir o Palácio dos Leões e foi a partir deste momento que os ânimos se esquentaram e que a polícia teve que se posicionar de forma mais enérgica.  Então, começou o que eu chamei de “dança”. Os manifestantes iam com toda força contra os policias (em direção ao Palácio) e logo em seguida a cavalaria vinha com toda força contra os manifestantes (em direção oposta ao Palácio). E ficava um verdadeiro passo de dança de “pra frente e pra trás”. Objetos foram lançados contra os policiais e então, a cavalaria tentava dispersar os manifestantes ameaçando “vir pra cima”.
      É BOM LEMBRAR que quando as paredes da prefeitura começaram a ser pichadas por alguns indivíduos, os manifestantes começaram a gritar juntos: “Sem vandalismo, sem vandalismo”. Outro fato a ser mencionado foi ocorrido com um indivíduo que não foi muito feliz ao soltar uma bomba em direção a cavalaria, o que deixou os cavalos alvoroçados. O interessante é que logo após ter feito isso, os próprios manifestantes começaram a agredir o tal rapaz e se ouvia os gritos predominantes dos manifestantes de “sem violência, sem violência”. Os policias da cavalaria tiveram que intervir e pegaram o rapaz e o colocaram atrás da cavalaria. Logo se ouvia os gritos dos manifestantes dizendo para os policias “não solta, não solta”. O ocorrido se deu bem antes da tentativa de invasão do Palácio, quando o clima ainda estava bem mais harmônico e a cavalaria ainda estava posicionada na parte de trás da concentração. Isto reflete que estávamos com intenções pacíficas e não depredatórias.
      Fato é que os jornais de hoje, dia 20 de junho, estão estampando em suas capas o ocorrido de ontem a noite. Quando cheguei pela manhã no meu trabalho, corri para ver o que diziam os tais jornalistas, e gostei do que vi, em parte (pelo menos em relação ao que vi no jornal O Estado). Mas,  voltando a ontem pela noite, digo com muito orgulho que eu estava lá para ver tudo o que aconteceu e que presenciei cenas jamais vistas por mim (fora das telinhas, é claro). Meu coração acelerou por diversas vezes e fui obrigada a correr por mais de seis vezes (a primeira vez foi bem engraçada, porque saí da frente da igreja e fui parar quase no bairro do cohatrac de tanto correr e eu nem sabia ao certo o que tinha acontecido – risos). Mas, o certo é que muito foi dito e muito foi feito. Declaro que não concordo com a atitude de pichação da prefeitura e com algumas outras depredações que foram feitas. Declaro também que estava verdadeiramente PREOCUPADA com a segurança dos policias que ali estavam e com os cavalos (pode parecer estranho) que faziam parte da cavalaria da polícia. Aos policias, quero deixar meus sinceros “parabéns”. A polícia estava com postura de extremo respeito a manifestação e foi adotado um caráter de “manifestem aí no canto de vocês, e a gente fica aqui. Tudo numa boa.”. 
      Nesse momento faço uma pausa e minha última observação: O que é um vândalo? Quem são os vândalos dessa sociedade? Por mim, vidros não teriam sido quebrados, mas tentem entender meu posicionamento! O que teria acontecido se nada tivesse sido feito? Todos iriam para casa depois da chegada ao Palácio dos Leões, e teríamos que investir muito na mídia e divulgação do ocorrido. Não quero ser contraditória,  mas é óbvio que a repercussão não seria a mesma. Inevitavelmente, alguns vidros quebrados vão aumentar a visibilidade do movimento. E sinceramente, o maior vandalismo que posso enxergar em meio a isso tudo são os buracos nas ruas, o centro histórico abandonado, o transporte público sucateado, etc. Desculpem-me, queridos governantes, mas os maiores vândalos são vocês!
      Destaco minha enorme satisfação por ter participado desse momento histórico tão raro e deixo meu recado a população de São Luís. #VemPraRua não é apenas um movimento e nem deve ser visto como algo que depende, simplesmente, de pôr os pés para fora de casa e ir pra rua no seu sentido literal. #VemPraRua é uma decisão, uma escolha. É um modo de vida de alguém que não quer mais estar alheio às decisões que também nos competem e que não quer e não vai mais aceitar esse descaso com a nossa cidade e de alguém que exige que os tão preciosos impostos sejam usados corretamente. Por tanto, #VemPraRua São Luís!

"Ao longo do texto não me refiro aos governantes em um aspecto pessoal, pois não os conheço e nem sequer tenho intenção de ofendê-los em suas questões, também pessoais, mas ao desrespeito ao cargo que escolheram assumir. Ou seja, não me direciono aos “pais Vereadores”, aos “filhos Prefeitos” ou aos “esposos Deputados”, me direciono a seu aspecto, unicamente, profissional, e que por tanto, me diz respeito."

 

2011 por Natalia Araújo 2013 por Allan Penteado. Exclusivamente para o blog Manuscrito. Cópia parcial ou integral é totalmente proibida.