Resenhando Getúlio, de João Jardim

Posted by Italo Stauffenberg Marcadores: , , , , , , , , ,

     Recentemente, pude ir ao cinema para assistir a produção nacional Getúlio. Confesso que sou apaixonado por filmes que retratam épocas passadas, principalmente a Era Medieval, mas o filme nacional aborda os últimos 19 dias de vida do ex-presidente do Brasil, Getúlio Vargas.                  O filme traz no elenco Tony Ramos, Drica Moraes, Alexandre Borges, Alexandre Nero, Jackson Antunes, Marcelo Médici, Thiago Justino, Adriano Garib, Leonardo Medeiros, Fernando Eiras, Daniel Dantas, Caco Baresi, Clarice Abujamra, Cláudio Tovar, Gillray Coutinho, Murilo Elbas e Murilo Grossi. Tem produção executiva de Carla Camurati e roteiro de George Moura. Nos cinemas brasileiros, teve um público de mais de 350 mil espectadores.
      Tão retratado em livros de história e tão discutido nas salas de aula no ensino fundamental, o presidente Vargas foi e é um ícone no cenário político brasileiro. Ao estudá-lo, em minha adolescência conturbada, pude notar o quão audacioso e sagaz este homem era. Foi governador do Rio Grande do Sul e, depois de um plano subversivo acabou com a política do Café com Leite, que governava o Brasil deste a queda do Império e que escolhia como presidentes da República Federativa do Brasil somente políticos oriundos do eixo Minas Gerais - São Paulo.

"Getúlio, o filme, não esgota o paradoxo de Getúlio Vargas. Mas é um passo para recordar e reavaliar essa página dramática na vida do País, de onde não cessam de brotar novas lições."  Neuza Barbosa – Cineweb 
      Apoiado pelos militares, depois da Revolução de 1930, em 3 de novembro de 1930, Getúlio Vargas é empossado como presidente interino do Brasil no Palácio do Catete (até então sede do governo brasileiro, no Rio de Janeiro). No governo Vargas foram criadas várias leis que beneficiaram a população como a instituição do voto feminino e a criação das leis trabalhistas. Também, em seu governo, foram realizadas duas mudanças a Constituição, como a de 34, 37 e a de 45.
      Vargas deveria entregar a presidência do Brasil em meados de 1938, mas decidiu dar um golpe no Estado e se proclamou ditador e instituiu a criação do Estado Novo. Ao contrário de outros países que na época viviam a mercê de ditaduras, Getúlio era amado pelo povo devido as suas práticas políticas consideradas populistas, mas sempre mancomunando contra seus opositores e conduzindo a pulso firme quem era contra o governo.

Tony Ramos, em cena, mostrando o lado populista de Getúlio Vargas

      Com o fim da ditadura Vargas, Getúlio foi afastado do poder sem sofrer nenhuma punição, nem mesmo o exílio, como o que ele próprio impusera ao presidente Washington Luís ao depô-lo. Getúlio não teve os seusdireitos políticos cassados e não respondeu a qualquer processo judicial. Getúlio Vargas retirou-se para sua estância em São Borja, a Estância Santos Reis, no Rio Grande do Sul. Getúlio apoiou a candidatura do general Eurico Gaspar Dutra, o ex-ministro da Guerra (hoje Comando do Exército) durante todo o Estado Novo, à presidência da República. O apoio a Dutra era uma das condições negociadas para que Getúlio não fosse exilado.
 "Getúlio é um filme sobre o poder e a solidão."  Antônio do Amaral Rocha – Rolling Stone
       O gaúcho voltaria a presidência da república eleito democraticamente em 1950 e aclamado pelo povo e saudado pelos poetas e músicos da música popular brasileira, como Francisco de Morais Alves que cantou “Bota o retrato do velho outra vez, Bota no mesmo lugar, o sorriso do velhinho, faz a gente trabalhar". E é justamente este período que o filme de João Jardim retratou em Getúlio que foi brilhantemente interpretado por Tony Ramos.
      Tony Ramos dá vida a um presidente em colapso no casamento e em uma crise no governo acentuada após o atentado da Rua Tonelero. Inocente de culpa, Getúlio foi acusado pelo comunista e jornalista candidato a deputado federal, Carlos Lacerda (Alexandre Borges) por tentar lhe matar e assassinar o major Rubens Florentino Vaz da Força Aérea Brasileira.

Alzira Vargas (Drica Moraes), braço direito na carreira política do pai, Getúlio Vargas (Tony Ramos) reunido com políticos, a citar o Ministro da Justiça Tancredo Neves (Michel Bercovitch)

      O atentado fora planejado pela cúpula governamental do presidente que, a qualquer custo, queria calar a voz de Lacerda que, freqüentemente, proferia discursos em jornais e televisões contrários ao governo Vargas e pedindo a sua renúncia. O então presidente batia o pé e afirmava que não renunciaria. Alzira Vargas (Drica Moraes) luta incessantemente a favor do pai e trabalha ao seu lado como Chefe de Gabinete. Na obra cinematográfica, a filha tem um papel decisivo na carreira política do pai.
"Getúlio se perde ao ser didático demais, indicando os nomes de todos os envolvidos nos meandros do governo. Vira aula de história - e, de fato, é um bom filme para se apresentar aos mais novos". Cristina Tavelin – Cineclick 
      Outro aliado político de Vargas era o ministro da Justiça Tancredo Neves (Michel Bercovitch) queria a todo custo resolver o caos que havia circulado o Catete com uma atitude de Vargas de reinstalar a ditadura no país. Decido a não quebrar a Constituição como já havia feito duas vezes, Vargas, cabisbaixo e oprimido pelas tensões políticas decide se afastar da presidência até que o caso do Atentado da Rua Tonelero fosse solucionado. A atitude foi encarada pela Junta Militar do Brasil como um pedido de renúncia.
      Ao saber do motim que poderia recair sobre sua vida e carreira com a decisão dos militares de tornar o vice de Vargas, café Filho, o novo presidente do Brasil, Getúlio, que já havia feito uma carta-testamento, decide pelo suicídio na manhã de 24 de agosto de 1954, que é dia de São Bartolomeu e ficou mundialmente conhecido pelo massacre feito por católicos franceses aos protestantes.
     A atitude de Getúlio Vargas tomou a todos de surpresa, principalmente, a Carlos Lacerda. O comunista tentava a todo custo ver o presidente atrás das grades e humilhado politicamente, mas teve que encarar uma comoção nacional pelas ruas do Rio de Janeiro em virtude da morte de um presidente que era tão amado e considerado o “pai dos pobres”. 
"Getúlio é, em última análise, não um trabalho sobre política, História ou conspirações, mas sobre o estado de espírito de Vargas em seus últimos dias – e, portanto, até mesmo os pesadelos recorrentes do presidente (um recurso narrativo que costumo abominar) servem bem ao propósito de ilustrar sua angústia, que acaba se transformando numa depressão que o mergulha na apatia e na busca do sono constante". Pablo Villaça – Cinema em Cena

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2011 por Natalia Araújo 2013 por Allan Penteado. Exclusivamente para o blog Manuscrito. Cópia parcial ou integral é totalmente proibida.