Sutileza marca filme Hoje Eu Quero Voltar Sozinho

Posted by Italo Stauffenberg Marcadores: , , , ,


FICHA TÉCNICA
Direção:  Daniel Ribeiro
Produção: Daniel Ribeiro e Diana Almeida
Roteiro: Daniel Ribeiro
Elenco original: Guilherme Lobo, Fábio Audi e Tess Amorim
Gênero: Comédia
Duração: 1h36 minutos
Idioma original: Português
Estúdio: Lacuna Filmes
Distribuição: Vitrine Filmes

      Sutileza. Talvez esta seja a palavra que melhor se encaixa para definir todo o trabalho do diretor Daniel Ribeiro em seu mais novo longa-metragem “Hoje Eu Quero Voltar Sozinho”. Cercado de um assunto tão polêmico e delicado que ainda mexe com a estrutura da sociedade brasileira, o longa lida de forma inteligente e perspicaz a questão da descoberta da homossexualidade na adolescência.
      Hoje Eu Quero Voltar Sozinho é uma adaptação do curta “Eu Não Quero Voltar Sozinho”, também dirigida por Daniel Ribeiro e lançado em 2010. O sucesso do curta-metragem alcançou proporção nacional e foi bastante elogiado pela crítica e vencedor de alguns festivais de cinema. A versão adaptada para o cinema foi lançada em 10 de abril de 2014 com um orçamento de pouco mais de R$ 2 milhões de reais e até a conclusão deste post com um público de mais de 140 mil pessoas que prestigiaram o filme em pouco mais de 56 salas de cinema pelo país.
      A trama conta a história de três adolescentes. Leonardo ou Léo (Guilherme Lobo) tem 16 anos e é portador de deficiência visual desde o nascimento. Giovanna ou Gi (Tess Amorim) é a melhor amiga de Léo e estuda com o amigo desde pequena. É auxiliadora e confidente do adolescente que enfrenta várias crises naturais do período em que vive. Gabriel (Fábio Audi) é um garoto que chegou a pouco tempo na escola em que Léo e Tess estudam. Com o passar dos dias, os três adolescentes se envolvem e firmam uma aliança de amizade.

Léo (Guilherme Lobo), um garoto cego que sofre bullying na escola 

      Por ser cego, Léo sofre bullying na escola e é superprotegido pelos pais. A figura materna e sempre presente sufoca o adolescente que pretende viver como qualquer pessoa “normal”, mas a mãe o trata como se sempre fosse necessário a ajuda dela para que o filho possa viver. Decidido a fazer um intercâmbio para fugir da proteção exacerbada dos pais, Léo começa a fazer planos para a viagem, mas vê tudo mudar quando conhece Gabriel.
      Como nunca havia se apaixonado por ninguém, Léo vê em Gabriel algo diferente e desperta reações de amor, cumplicidade, paixão e interesse pelo recente amigo. De forma sutil e delicada, Hoje Eu Quero Voltar Sozinho mostra que é possível retratar algo ainda visto como “tabu” de forma simples e, até aceitável para um sociedade ainda considerada preconceituosa. Em entrevistas a sites e televisão, o diretor do longa afirmou que a intenção do filme não era “sexualizar” as personagens, mas mostrar como acontece a descoberta do “primeiro amor” na adolescência.
      O filme também apresenta todas as situações enfrentadas pelos adolescentes, desde a preguiça em estudar, os conflitos enfrentados na escola, os ciúmes entre amigos, a eterna birra com os pais, o sentimento de liberdade natural a idade e a descoberta da sexualidade.
      Ao contrário do filme “Do Começo Ao Fim” (2009), dirigido por Aluísio Abranches que retrata o envolvimento de dois meio-irmãos que se apaixonam desde pequenos e já em idade adulta se envolvem de forma picante e intensa (o que causou a fúria dos críticos de cinema e também da própria sociedade que recusou a proposta de Abranches em mostrar um caso de incesto e homossexualidade entre as personagens centrais do longa), Hoje Eu Quero Voltar Sozinho caminha entre a ingenuidade da adolescência e a aceitação da opção sexual como algo natural ao ser humano.
      Se Abranches, em seu filme, pretendia acabar com o “tabu” da homossexualidade mostrando que é possível se consumir filmes de temática gay de forma tão grosseira e agressiva como foi “Do Começo Ao Fim” em que as personagens se beijavam, amassavam, enfim, algo ainda chocante, o diretor Daniel Ribeiro seguiu por outra vertente e mostrou que a temática gay pode sim ser aceita pela sociedade.
      Além da direção de fotografia e a trilha sonora original serem ingredientes fundamentais na composição do longa, Hoje Eu Quero Voltar Sozinho conquista o público brasileiro de forma inteligente e humana. Com pouco capital de divulgação, o filme não estreou em todas as partes do Brasil, mas devido a grande repercussão gerada através das redes sociais, o filme chega as principais cidades brasileiras a pedidos de um público que parece interessado no gênero.
      Em São Luís, capital do estado do Maranhão, o longa foi exibido no Cine Praia Grande e no Cinépolis São Luís Shopping. Tive a oportunidade de assistir ao filme depois de ouvir tantos elogios e perceber a grande repercussão que teve na internet. Por incrível que pareça, a obra cinematográfica mexe de tal forma com as sensações do público que pude notar que após o término da sessão várias pessoas se encontravam chorando depois de ver o caso adolescente de amor entre dois meninos.

      Aceitável ou não, Hoje Eu Quero Voltar Sozinho mostrou que é possível lidar com a questão homossexual sem cair no escracho e na vulgaridade. 

4 comentários:

  1. Gabriele Santos

    Eu estou muito interessada em assistir a este filme. Acompanhei um pouco o pré lançamento e a ansiedade de todos. Não vi o longa, mas li ótimas críticas sobre o filme. Gostei muito da sua resenha.
    http://www.viciodiario.com/

  1. Renato Almeida

    Quero muito ver esse filme, acho que assim como você vou gostar da história.
    Acho bacana a forma como o filme abordou duas coisas bastante dramáticas e intensas como o homossexualismo e bulying de forma simples e delicada. Definiu bem com a palavra sutileza. Pretendo ver, até mais. http://realidadecaotica.blogspot.com.br/

  1. Allan Penteado

    Italo, como sempre muito sutil e coesão em suas análises, faço suas palavras as minhas!

  1. Lê Fernand's

    humano... quero ver!

 

2011 por Natalia Araújo 2013 por Allan Penteado. Exclusivamente para o blog Manuscrito. Cópia parcial ou integral é totalmente proibida.