As muitas Corines das igrejas que parecem desacreditar em Deus

Posted by Italo Stauffenberg Marcadores: , , , , , ,

      Verfa Farmiga, atriz, dando vida a personagem conflituosa na fé, Corine Walker

      Esse final de semana decidi ver alguns dos poucos bons filmes que passam nos canais fechados do Brasil. O Telecine e o HBO nem de longe estão exibindo filmes bons e de qualidade como faziam há tempos atrás. Entretanto, estes dias alguns filmes chamaram a minha atenção quando estava selecionando o que assistir. Costumo escolher os filmes pelos atores, confesso. Se num filme tiver um ator ou atriz que considero bom eu logo quero ver e são poucos filmes que vejo de atores desconhecidos que acabo me surpreendendo.
      Enfim, nessa minha escolha seletiva maluca acabei por ver um filme da atriz Vera Farmiga. A película é bastante conhecida e se chama “O menino do pijama listrado”. É excelente e Farmiga interpreta uma mãe que fica desolada ao descobrir as tramóias do marido que é soldado alemão. Mas, não é esse filme que pretendo analisar. Aliás, Farmiga adora interpretar mães lutadoras. Como não lembrar de Kate Coleman, de “A órfã”?
      A atuação de Farmiga da vez é da personagem Corine Walker, no filme Em busca da Fé (Higher Ground), lançado em 2011, e que é dirigido pela própria Vera Farmiga.
      Em busca da Fé conta a história de Corine, uma pobre menina que vive desacreditada com a vida. A situação piora quando passa a vivenciar o casamento falido dos pais que brigam e não parecem se entender. Após ouvir a pregação do pastor da igreja da comunidade, Corine decide “aceitar a Jesus”, já que na pregação, o pastor havia dito que era possível ouvir a voz de Jesus deixando-O entrar em sua vida. Sendo assim, a garotinha toma a decisão, mesmo sem entender as possíveis consequências da sua decisão.
      Corine cresce e sonha em tornar-se escritora. A esse período, Corine já estava totalmente desacreditada em Deus, uma vez que não conseguia contemplá-lo em sua vida e nem na sua família. A adolescente se apaixona e casa com o cantor da banda de rock, os Renegados. Ethan Miller engravida Corine e os dois decidem morar juntos e constituir família, mas os planos são alterados quando a banda de Ethan escapa de um grave acidente na estrada. Segundo Ethan, Deus havia lhes salvado.
      A partir desse momento, Corine e seu marido decidem se dedicar a fé e ingressam em uma igreja Batista.   Corine, já mulher e mãe de três filhos aparenta estar sustentada na fé e conhece Annika, uma polonesa que se casou com um membro de sua igreja. Anikka é diferente das outras mulheres e incentiva Corine a buscar o espírito santo e orar em línguas para se “edificar”. Numa conversa com o marido, Corine comenta essa busca pelo espírito santo e logo é repreendida pelo marido que se recusa a aceitar a ideia de que pessoas possam falar em outras línguas segundo intervenção do espírito santo de Deus.
       Com o passar do tempo, o casamento de Corine acaba caindo no marasmo e ela já não acredita, como antes, nas suas convicções religiosas. Corine entra em conflito e passa a duvidar da existência de Deus. O resultado? Ela se separa e volta ao mesmo ponto de antes de constituir toda a sua família: o nada. Segundo ela, tudo não passou de uma ilusão. Algumas vezes, ela pode até perceber a ação de Deus em sua família, mas nunca conseguiu “senti-lo” em sua essência.
     
Anikka e Corine, em uma das cenas do filme, tentando receber o espírito santo

 Assistindo ao filme chego a algumas conclusões:
      Muita gente, nas igrejas, são como Corine. Elas aceitam a Jesus por ouvir falar, mas nunca se entregaram totalmente para saber se ele é real ou não. O filme, por diversas vezes, apresentou momentos de dúvida de Corine quanto a existência do ser divino.
      Quando sua família escapa do acidente na estrada, ela clama para que Deus salve sua filha que ainda estava dentro da van e, após o marido resgatá-la e coagi-la declarando que tudo foi livramento de Deus, Corine parece “aceitar” a situação, muito embora não concorde de corpo e alma com o que estava lhe sendo imputado.
     Corine acaba aceitando a situação de ser uma boa mãe, esposa e serva fiel. Ela até adquire a linguagem de uma cristã e tenta “receber” o batismo no espírito santo, por achar que precisava de um renovo. Em uma cena do filme, ela entra no banheiro e começa a tentar "falar em línguas estranhas”, mas não consegue e acaba desistindo. Isso tudo só reforça o que muitas pessoas passam dentro das igrejas. Elas tentam estar ali, mesmo que todo aquele ambiente não lhes seja querido.
      Anikka, a amiga de Corine logo adoece e, ao analisar o filme, entende-se que ela “falava em línguas” por estar sofrendo de um tumor no cérebro. Sagaz a tentativa da diretora em refutar a intervenção do espírito santo. Tanto Anikka quanto Corine treinavam bastante o falar em línguas. Não é um treino que acontece “do nada”.
      O filme também apresenta o que acontece em muitas igrejas. A mulher não tem voz. É apenas um elemento. Não uma participante na liturgia. Por várias vezes, Corine tentou tomar a palavra na congregação e expressar o que estava sentindo, mas teve a tentativa abafada pelo pastor que segue a risca o ensinamento paulino de que mulheres não devem assumir as funções dos homens dentro das igrejas.
      Corine é o perfil de muitos fiéis nas igrejas contemporâneas que mais parecem vegetais espirituais do que apaixonados pela mensagem da Cruz. Mesmo com uma família estruturada, Corine decide largar tudo por que não agüenta a situação de “não ouvir a voz de Deus”. Ruim, não é verdade?

      O filme apresenta muitas reflexões sobre o universo cristão. Não é "o filme", mas é muito interessante analisá-lo a fim de alertar cristãos e futuros cristãos. Afinal de contas, o que é preciso fazer para se acreditar em Deus? 

Corine, em uma das conversas com o pai, no filme Em busca da Fé

1 comentários:

  1. Nikki

    Nunca tinha ouvido falar sobre esse filme! Acrescentei à lista :D

 

2011 por Natalia Araújo 2013 por Allan Penteado. Exclusivamente para o blog Manuscrito. Cópia parcial ou integral é totalmente proibida.