Um novo caminho para Don Mille

Posted by Italo Stauffenberg Marcadores: , , , , , ,

      Outro filme que vi por este dias se chama Um Novo Caminho. O título original e em inglês se chama Blue Like Jazz (nada a ver com o português, não é?) e menciona o gosto da personagem principal pelo ritmo musical que conquistou os Estados Unidos: o jazz.
      Um Novo Caminho conta a história de Don Mille (Marshall Allman), um rapaz que está prestes a ingressar em uma faculdade, mas se vê limitado pela ação da própria mãe, uma mulher super religiosa e que é devota de corpo e alma ao ofício cristão. Don é envolvido com a igreja e auxilia o pastor em muitas atividades eclesiásticas. Como seus pais são separados, ele possui pouco contato com o pai, que é um bêbado e amante do jazz, mas por quem possui profunda admiração. 
      Prestes a ir para uma faculdade cristã, Don ouve do pai que ele o matriculou em uma das melhores universidades dos Estados Unidos. Ele parece meio receoso ao aceitar o convite do pai, mas acaba por aceitar a proposta ao descobri que sua mãe tem um caso extraconjugal com o pastor de sua igreja, que por sinal é casado. A nova universidade de Don é conhecida pela fama de formar alunos ateístas.
      Ao chegar à nova atmosfera acadêmica, Don reluta, brevemente, ao fato das pessoas não aceitarem a existência de Deus, mas para ser “aceito” pelos novos amigos esconde sua fé e debocha das ações que fizeram de Deus e Jesus Cisto pessoas divinas. Don torna-se melhor amigo de Lauryn (Tania Raymonde), uma jovem lésbica que lhe avisa do erro que seria professar na nova universidade sua fé cristã.
      Com o passar do tempo, Don se apaixona por Penny (Claire Holt), uma aluna da universidade, mas nunca teve coragem de se assumir devido à garota repudiar sua nova postura. Don, após muitas festas e bebidas, descobre que tudo o que estava vivendo era algo passageiro e com a ajuda de Penny reconcilia-se com sua mãe e assume que, mesmo que tenha divergências com Deus, reconhece que sem Ele não dá pra viver.


Don, em uma das cenas do filme, assumindo o papel de Papa, que na universidade em que estuda é a pessoa que aconselha outras pessoas sobre tudo, menos sobre uma crença cristã.

      Na verdade, Don é o típico adolescente que cresceu na igreja e nunca teve contato com “o mundo”. Após desilusões com as duas pessoas de maior referência em sua vida, a mãe e o pastor, ele percebe que tudo não passava de uma ilusão e resolve apostar em “um novo caminho” onde conhecerá novos amigos e poderá experimentar de tudo aquilo que nunca fora antes provado.
      Qual seria a sua reação se a sua mãe - com quem você vive e cresceu ouvindo que Jesus é a salvação e blá blá blá - tivesse um caso amoroso com o pastor de sua igreja, pessoa em que você depositava total confiança e credibilidade? A reação de Don Miller poderia até ser justificável, pois é muito difícil digerir uma situação como esta. Acontece que, muitos líderes religiosos têm abusado da unção e autoridade pela qual eles julgam ter recebido de Deus. 
      O pobre menino Don é o reflexo de uma repressão religiosa que, muitas vezes, ocorre em muitas igrejas. Os membros são aprisionados em teologias e dogmas e não podem fazer absolutamente nada. E o que poderia resultar do contato com o mundo? A loucura total. Don se afastou da mãe e as “novas amizades” lhe levaram a um patamar de vida pouco sadio, uma vez que, a todo custo ele decidiu esconder seu passado.
      Uma coisa vale a pena mencionar. Don percebe que, mesmo errado e sabendo que a Igreja pode ser falha, é impossível esquecer Deus. Apesar do final do filme não ser digno de uma “produção gospel”, esse é outro filme do gênero que desperta a atenção da juventude para muitos outros pontos de vista. 


FICHA TÉCNICA
Direção: Steve Taylor
Produção: J. Clarke Gallivan
Roteiro: Steve Taylor
Elenco original: Marshall Allman, Claire Holt
Gênero: Drama
Duração: 97 minutos
Idioma original: Inglês
Estúdio: Ruckus Films
Distribuição: Roadside Attractions

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2011 por Natalia Araújo 2013 por Allan Penteado. Exclusivamente para o blog Manuscrito. Cópia parcial ou integral é totalmente proibida.