Diálogos

Posted by Italo Stauffenberg Marcadores: , , , , , ,


      Era um dia como qualquer outro. O pai sai com o filho e a mulher para juntos assistirem a estreia de O Espetacular Homem Aranha 2. Pai e filho estavam vestidos de Homem Aranha, mas a mãe precisava aderir ao movimento e entrou numa loja de roupas de fantasia para assumir a identidade de uma super heroína.
      Sentados na calçada da rua e esperando longos minutos pela mãe, que possui o costume de demorar horas e horas para escolher apenas uma roupa, pai e filho decidem conversar um momento sequer, que seja.
- Pai, quando eu crescer eu posso ser um super herói?
- Pode sim, meu filho! Basta você saber lidar com todas as adversidades que essa profissão necessita! Mas, por quê  a pergunta? – disse alegremente o pai.
- Nada não, pai. É que eu acho legal essa parada de ser herói.
- Mas o que você vê de tão legal em ser alguém que se submete a vários riscos para ajudar pessoas que muitas vezes são ruins e que não mereciam sua ajuda?
- Sabe pai, quanto mais eu vejo as coisas acontecendo no mundo mais eu tenho vontade de ajudar. Não sei por que, mas eu tenho alguém que me inspira! – disse o menino com o olhar fixo no pai.
- E quem seria o seu super herói? O Batman, o Super Man, o Homem Aranha?
- Não, pai. Eu gosto deles só pelo fato deles me divertirem. Gosto de me fantasiar e pensar que eu posso voar, ou saltar pelos prédios e até sair teias de aranha pelos meus punhos, mas eu sei que isso não existe.
- Own, meu filho, – disse o pai meio entristecido – mas, mesmo assim não desacredite que você pode mudar o mundo. Mesmo que você não tenha super poderes saiba que o que há de mais virtuoso em seu coração é o que fará de você um super herói indesistível!
- Tá bom, pai! Eu sei disso. Queria mesmo era poder ler a mente das pessoas!
- Meu filho, mas por que isso? Porque você gostaria de ter essa habilidade?
- Sei lá, pai! Mas acho que lendo a mente das pessoas eu poderia ajudar a prevenir o mundo de muita gente ruim.
- É verdade, filho! Todavia, não podemos ler a mente de ninguém e isso nem poderia ser tão bom, pois devemos aprender com os erros e a sobreviver neste mundo.
- Poxa, pai. Eu aprendo tanto com o senhor – disse o menino abraçando fortemente  seu pai.
- Ah, filhão, obrigado! Tudo o que eu faço é por você e pra que você seja um alguém melhor do que eu sou hoje – respondeu o pai bagunçando levemente o cabelo do filho.
- Pai, quando eu crescer eu quero ser igual a você!
- Mas você não disse que queria ser um super herói? – respondeu o pai sorrateiramente.
- Sim, eu também quero isso, mas só quero ser super por que você é o meu herói! – respondeu com um largo sorriso no rosto o garoto.
- Filho, o que é que você tem hoje? - disse o pai com aquela risada escondida, mas cheia de alegria e emoção por ter ouvido isso do próprio filho.
- Nada pai, nada não! Acordei hoje pensando que tenho o melhor pai do mundo! Um pai que me ama, me protege, me guarda pra não acontecer nada de ruim comigo e até lê os meus pensamentos!
- Como assim? – disse o pai assustado.
- Sim, você lê sim. Agora mesmo está lendo...
- Por que você acha isso? – disse o pai curioso.
- Porque o “melhor pai do mundo” faz tudo o que a mente de um filho apaixonado por ele diz. E eu digo que você lê minha mente por que você sabe que na minha mente só digo que amo você e que você é a melhor coisa que já aconteceu na minha vida!
      A enxurrada de palavras ditas pelo pequeno menino foi suficiente para abalar com os sentimentos do jovem pai. Sentados na calçada da rua, esperando pela mamãe que estava na loja ao lado escolhendo uma roupa para comprar, os dois chegaram a conclusão de que não há amor mais puro e verdadeiro do que o amor de pai para filho.

- Obrigado, filho! – disse o pai. Eu não sei o que seria da minha vida sem você

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2011 por Natalia Araújo 2013 por Allan Penteado. Exclusivamente para o blog Manuscrito. Cópia parcial ou integral é totalmente proibida.