O Hamas e a destruição de Gaza

Posted by Italo Stauffenberg Marcadores: , , , , , , , ,


      Esses dias tenho refletido ainda mais sobre a situação na Faixa de Gaza. Muitos podem até discordar da minha posição em aceitar o bombardeio de Israel aos limites palestinos e outros podem achar louvável. O que não posso esquecer é que sempre o lado mais fraco da história é que sofre com toda esta ação.
      Se formos parar, um momento que seja, para analisar toda a situação perceberemos que o Hamas é um grupo terrorista bem perigoso e que merece ser sim combatido. O Hamas, que em português significa Movimento de Resistência Islâmica, é de origem sunita. Os sunitas, apesar de respeitarem Alá, não o consideram como o único verdadeiro continuador da tradição de Maomé, ao passo que os xiitas, sim. Eles dão grande importância a peregrinação a Meca, enquanto os xiitas valorizam outras peregrinações. Os xiitas acreditam nos imãs descendentes de Maomé e Alá, que são vistos como seres com algo de divino. Os sunitas, por seu lado, acreditam em tradições baseadas em escolas teológicas e jurídicas que envolviam analogias do Corão. Eles representam, segundo crêem, a interpretação correta do Islã, ao passo, que outras vertentes se desviam desta. 
      Por estas e outras coisas, o sunitas são a vertente islâmica mais fundamentalista e se alastram por todo o território árabe oriental de forma avassaladora. São maioria em quase todos os países árabes e na comunidade palestina não seria o mesmo. Criado em 1987, o Hamas é baseado na ideologia fundamentalista islâmica, no nacionalismo e no sunismo. Por suas ações contra o Estado israelense é considerado um grupo terrorista pelo Canadá, União Européia, Israel, Japão e Estados Unidos.
      A Austrália e o Reino Unido consideram como organização terrorista somente o braço militar da organização - as Brigadas Izz ad-Din al-Qassam. Outros países, como a África do Sul, a Rússia, a Noruega e o Brasil não consideram o Hamas como organização terrorista. Na Jordânia, o Hamas tinha uma presença forte até o final da década de 1990, o que causava atritos entre o governo jordaniano e Israel. O rei Abdullah fechou a sede do Hamas na Jordânia e expulsou seus líderes.
      O poder político do Hamas conquistado ao longo de sua trajetória perdeu o foco e, hoje, grandes países do eixo do Oriente Médio já não possuem mais relações diplomáticas com o grupo terrorista. No passado, o mundo árabe e muçulmano costumava se unir em bloco em defesa dos palestinos. Mas desde a Primavera Árabe de 2011 essa unidade acabou. No momento, Qatar e Turquia são os únicos aliados do Hamas na região.
      Contra o Hamas estão o Egito, a Arábia Saudita, os Emirados Árabes e a Jordânia. Os ex-aliados do Hamas, Irã e Síria, também romperam com o movimento palestino.
      É redundante dizer que o grupo terrorista está isolado e que, por causa de suas ações terroristas, estão sofrendo sérios ataques do governo israelense?
      É muito fácil condenar o governo israelense por tamanha destruição. É muito fácil apontar a ação israelense para destruir os túneis feitos por militantes do Hamas que tem a finalidade de atacar cidades israelitas de “Nazismo Palestino”. Isso, para mim, é um ultraje. Não há como comparar o genocídio judeu arquitetado pela mente senil de Adolf Hitler com as decisões do premier israelense Benjamin Netanyahu.     
      Fico a imaginar quando haverá uma trégua entre os dois países, entre as duas comunidades, entre as duas religiões. Até lá, que os militantes do Hamas tenham a consciência de que essa luta sem fim contra o país israelense só vai causar, cada vez mais, mortes e desolações ao seu próprio povo. Um povo que sofre pela falta de segurança, desigualdade social e que se tornou refém de uma instituição que em nada prioriza os benefícios do seu povo, mas ideologias ultrapassadas e desumanas.
      Até o momento, mais de 1000 palestinos foram mortos no conflito entre o Hamas e o governo israelense. Mais de 60% dos mortos são crianças. Uma geração está se perdendo pelas atitudes impensadas dos seus governantes. Do lado israelense, as mortes chegam a 60, sendo mais de 90% de militares. 
      Além do Brasil e Equador, que recrutaram seus embaixadores para "esclarecimentos", a Bolívia e o Peru fizeram o mesmo. No mundo da diplomacia, a atitude de chamar seus diplomatas para "consultas" denota descontentamento com a atitude do governo em que o diplomata reside. É lamentável todo o agravante, mas é como diz o ditado: é melhor prevenir do que remediar. 



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2011 por Natalia Araújo 2013 por Allan Penteado. Exclusivamente para o blog Manuscrito. Cópia parcial ou integral é totalmente proibida.