Pátria amada, Brasil?

Posted by Italo Stauffenberg Marcadores: , , , , ,

Dante, Fred, David Luiz, Júlio César, Luiz Gustavo (esquerda para direita/acima)/ Hulk, Marcelo, Ramires, Neymar Jr, Daniel Alves e Oscar (direita para esquerda/abaixo).

      Sou brasileiro com muito orgulho e muito amor. E isto não é só uma canção qualquer escrita por um alguém qualquer. Esta não é só a canção que embala os jogos da seleção brasileira durante as Copas do Mundo, não. Deveria ser o hino de cada brasileiro que sobrevive as duras batalhas de cada dia. E repare que escrevi “sobrevive”. Isso mesmo, somos um povo que sobrevive e não apenas vive.
      Outro dia, após a derrota da seleção brasileira para a Alemanha, na semifinal da Copa do Mundo, li um artigo no Jornal O Estado do Maranhão que falava sobre patriotismo. O texto era bem enfático ao afirmar que não somos uma nação patriótica e isso é bem verdade. Precisamos, como sempre, aprender com as nações vizinhas já que somos incapazes de projetar para elas algo positivo.
      De fato, pintar a cara de verde e amarelo, usar camisas com a bandeira da nação, enfeitar as ruas com bandeirinhas e pintar tudo de verde e amarelo somente quando nossa seleção disputa algum torneio relevante não nos torna patriota. E olha que somos o país que mais venceu edições da Copa do Mundo. Somos pentacampeões, mas quando o quesito é honrar o país e mostrar para o mundo o que o Brasil é não sabemos como fazer.
      Confesso que a derrota ainda me é doída. Nunca pensei que estaria vivo para ver uma goleada como esta. E diante de tanta humilhação, de tanta vergonha, de tanto descaso ainda tenho que ver brasileiros tripudiando da seleção, zombando do país e dos seus bravos heróis que só tentaram alegrar aqueles que sofrem dia após dia com o descaso dos governos que regem as três esferas do poder público.
      É lamentável assistir a tanta ingratidão e zombaria. Basta assistirmos os filmes norte-americanos e iremos perceber o quanto eles são patriotas. A própria história deles comprova isto. Os EUA lutaram bravamente contra o domínio britânico e após uma consecutiva guerra civil conquistaram sua independência. Hoje, ele é o país mais influente do mundo, mas sua população nunca esqueceram de onde vieram e o que conquistaram.
      Em épocas eleitorais ou em dias comemorativos ao aniversário de independência, eles fazem questão de vestir camisas que lembram as cores das bandeira, adereços como as próprias bandeiras que ficam estiadas nas portas de casa, pintam o rosto, enfim, fazem de tudo para mostrar para o mundo que eles são americanos. E olha que ultraje: para eles, só eles são americanos, o resto é sul-americano, latino ou coisa do tipo. A petulância e amor a pátria são tão grandes que chega a ser sufocante. E o que fazemos? Nada.
      Nos Estados Unidos quem gosta de jogar futebol são as mulheres. Lá, a seleção feminina é melhor que a masculina. Possui mais destaque, mais títulos, maior repercussão, mas cientes de que a seleção masculina não é tão boa eles não deixam de torcer e acreditar. Nesta edição da Copa, no Brasil, em todos os jogos da seleção norte-americana os torcedores bradavam pelos estádios: “I believe that we will win”. Em português, isso quer dizer “Eu acredito, vamos vencer!”.
      O hino empurrou a seleção que conseguiu vaga para as oitavas de final, mas não conseguiu superar a seleção belga. E o que, como brasileiros, fizemos?
      Empolgados pelas consecutivas vitórias da seleção de Felipão muitos brasileiros faziam questão de sair nas ruas de verde e amarelo, diziam que acreditavam e que o sonho do hexa era possível. Tudo acabou com um fatídico 7 a 1.

Torcedores queimando a bandeira do Brasil após a semifinal contra a Alemanha.

     Pelas redes sociais circula uma foto de torcedores queimando a bandeira brasileira após o jogo contra a Alemanha mostrando que de fato, somos uma nação intempestiva, provisória, do oba oba, que só pensa no momento e que esquece facilmente de uma história.
      Percebemos o reflexo disso quando vamos votar para eleger nossos representantes no Congresso Nacional. Uma vergonha, um vexame, uma humilhação. Somos humilhados por nós mesmos, pelas nossas próprias atitudes que são, em muitos casos, um desastre, uma desonra.
      Estou extremamente condoído com a derrota e com todos os efeitos que ela causou, mas sou brasileiro mais do que nunca. Queria ter a oportunidade de estar ali próximo a Granja Comary (Teresópolis/RJ) só para poder aplaudir os jogadores da seleção e dar aquela força. Eles perderam, tudo bem, mas quem é que só ganha na vida? A derrota foi trágica e isso todos nós sabemos, mas é nesses momentos que devemos mostrar a nossa afetividade, o nosso carinho e o respeito que o mundo todo sabe que nós temos.
      O Brasil ainda jogará contra a Holanda e confesso que não espero nenhuma vitória, mas isso não me faz deixar de ser brasileiro e de amar o meu país. Muitos dizem que devemos amar o país e não uma seleção. É verdade! Eles (os jogadores) nem sabem que eu existo, mas eu sei que tenho um país e que ele existe e que quando o assunto é o futebol nós é que somos os melhores. Projetamos os melhores jogadores e temos a melhor história.
      Eles podem ficar com um título, mas toda a história no esporte é nossa. Somos os reis. Ainda somos os únicos pentacampeões.

      Só espero que o fracasso do dia 8 de julho seja tão logo superado e esquecido por mais que nunca venha ser apagado da nossa memória. Ele ainda dói, mas breve passará. 


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2011 por Natalia Araújo 2013 por Allan Penteado. Exclusivamente para o blog Manuscrito. Cópia parcial ou integral é totalmente proibida.