Sobre as memórias

Posted by Italo Stauffenberg Marcadores: , , , , , ,


Proibido emoções cálidas, angústias fúteis, fantasias mórbidas e memórias inúteis. 
Caio F. Abreu

      Eu não sei você, mas eu gosto de ter memórias. As memórias nos fazem perceber o quanto mudamos de um tempo para cá ou o quanto poderíamos ter mudado fazendo-nos refletir que ainda há tempo para se fazer algo ou não. A memória é o que permite a aprendizagem, pois é através da memória que os conhecimentos se consolidam. A memória é a função mental que permite reter a informação, ou seja, aprender.
      A psicologia cognitiva é um dos campos da ciência que se preocupam em estudar a memória.  Platão e Aristóteles, por exemplo, já teorizavam sobre o pensamento e a memória, partindo de sua base empírica.
      Mas, você sabia que a memória é dividida em três processos? Se não, saiba que a codificação, o armazenamento e a evocação ou reprodução são eles. A codificação diz respeito à capacidade que o aparato cognitivo possui de captar a informação e mantê-la ativa por tempo suficiente para que ocorra o processo de armazenamento, segunda etapa da memória. O armazenamento é a capacidade de manter a informação pelo tempo necessário para que, posteriormente, ela possa ser recuperada e utilizada e a evocação ou reprodução é a capacidade de recuperar a informação registrada e armazenada, para posterior utilização por outros processos cognitivos (pensamento, linguagem, afeto, etc.).
      Podemos, desta forma, classificar as memórias em quatro níveis: memória de curto prazo, memória autobiográfica, memória episódica e a memória sensorial.
      Segundo o Dr. Drauzio Varella, a memória de curto prazo trabalha com dados por algumas horas até que sejam gravados de forma definitiva. Este tipo de memória é particularmente importante nos dados de cunho declarativo. Em caso de algum tipo de agressão ao cérebro, enquanto as informações estão armazenadas neste estágio da memória, ocorrerá sua perda irreparável.
      E eu não sei se você já assistiu a animação da Pixar, Procurando Nemo, filme que conta a história do peixinho-palhaço Nemo que fugiu por desobediência e foi parar no escritório de odontologia em P. Sherman, 42, Wallabe Way, Sidney, mas na busca frenética pelo peixinho, o pai de Nemo sai com uma amiga, a Dóri pelos quatro oceanos do mundo e se depara com uma pequena situação: Dóri esquece das coisas com frequência. Ela tem a memória curta e isso a faz perder as memórias recentes.
      Outro dia desses vi situação parecida em outro filme. Como não esquecer essa garota conta a história de Molly, uma garçonete solitária que se envolve com Gus, um vendedor de joias. Contudo, há um obstáculo para o relacionamento: Gus sofre de um problema de perda de memória recente, causado por um AVC que rompeu seus lóbulos temporais que o impede de lembrar  de todas as suas memórias recentes. Todos os dias, ao amanhecer, ele escuta tudo o que havia gravado no dia anterior, para que assim, possa dar continuidade a vida.
      O que pretendo chegar a conclusão é que, mesmo não sofrendo de perdas de memórias recentes ou memórias de curto prazo, há pessoas que tratam outras dessa forma. Elas simplesmente se privam da ação de lembrar o que outras fizeram por elas. E isso é triste, é lastimável, é feio, é horroroso no sentido mais literal da palavra.
      A memória autobiográfica é ativada, junto com a memória de trabalho, conforme os objetivos do “eu em ação” da pessoa num certo momento. A memória autobiográfica é formada por estruturas da memória lembradas (recordadas, recuperadas, utilizadas, resgatadas) num certo momento, existentes no sistema da automemória (SAM) do indivíduo.
      Já a memória episódica é a memória de eventos autobiográficos que podem ser lembrados conscientemente. Usando essa capacidade, uma pessoa pode, por exemplo, lembrar de uma viagem recente sua, e reviver mentalmente eventos que aconteceram nela, ver os lugares por onde passou, escutar os sons, sentir os aromas e lembrar das pessoas que conheceu.
      Eu não sei se você acompanha a série de TV norte-americana Grey’s Anatomy. Pra mim, é a melhor série que aborda o universo medicinal feita em todos os tempos. Grey’s Anatomy se passa em Seatle, Estados Unidos, e perpassa os conflitos de médicos residentes do principal hospital da cidade. Na série, há uma personagem chamada Lexie Grey. Ela é irmã da protagonista da série, Meredith Grey. Lexie possui uma incrível capacidade de memória fotográfica. Isso a permite lembrar de várias situações passadas com a maior facilidade.
      E como seria bom caminhar com pessoas assim, não é verdade?
      Por fim, a memória sensorial é um tipo de memória que tem origem nos órgãos sensitivos. As informações obtidas pelos sentidos são armazenadas por um curtíssimo espaço de tempo (0,1 a 2 segundos).
      Não costumo assistir esse seriado, mas em Pretty Little Liars, uma das personagens disse a seguinte frase: acho que a única razão de sermos tão apegados em memórias, é que elas não mudam, mesmo que as pessoas tenham mudado.
      Curioso, não é verdade? Sim, é verdade! Costumamos nos apegar as memórias mesmo que ela nos faça sofrer. Há uma canção da cantora Pitty que compara certas memórias a fantasmas que somente nos fazer sofrer. “Memórias / Não são só memórias / São fantasmas que me sopram aos ouvidos / Coisas que eu / Nem quero saber”, diz o refrão.
      E que fantasmas! Contudo, outro desenho animado disse certaz vez que as pessoas se tornam mais fortes, porque elas têm memórias que não podem esquecer.
      O que importa, realmente, é fazer das nossas memórias um eterno aprendizado. Não adianta postergar algo irreal. Se você é perturbado por memórias que só te fazem mal, livre-se delas! Existe um famoso ditado que diz para fazermos de limões, limonadas. Que incrível! E é dessa forma que devemos levar as nossas vidas.
      Não postule viver uma vida cheia de incertezas, de dúvidas e de possibilidades inexistentes. A vida só é boa quando se é vivida. Não viva as sombras de coisas ou pessoas que só possuem um vago espaço em sua memória. Faça desse se pequeno espaço cerebral um grande lugar, um refúgio secreto, um lugar só seu. As memórias são suas, não dos outros. Não os deixe tomar aquilo que, de fato, são seus. 
      Nessa breve vida que já vivi muitas coisas me aconteceram, muitas memórias boas de lugares bons e pessoas excepcionais, contudo, há sempre algo ou alguém que gosta de melar nossa história. O bom é que essas situações servem mesmo para nos fortalecer. O que não nos mata nos fortalece, minha gente. 
      Existe um versículo bíblico conhecidíssimo que fala sobre a memória. Tão conhecido que vários artistas do meio gospel já parafrasearam em música. Talvez, a mais conhecida seja a música Deus de Amor, do Ministério Diante do Trono. Lamentações 3.21 diz que é bom trazermos a memória aquilo que nos dá esperança.
      O grupo Palavrantiga, diz em uma das suas músicas que esperar é caminhar. O trecho poético diz que mesmo sem saber o que Deus nos dirá dentro de nós deve reinar a paz d'Ele, pois essa paz nos faz saber que esperar n'Ele é sempre caminhar. 
      E olha que confuso! Pensamos que esperar é ficar paralisado. Nada disso. Suas esperanças devem ser o motivo de você prosseguir e não ficar esperando para que a bendita hora chegue. Aristóteles já dizia que a esperança é o sonho de todo homem acordado, o saudoso escritor paraibano Ariano Suassuana levava como ritmo de vida que os otimistas são tolos e os pessimistas chatos e que bom mesmo era ser um realista esperançoso. 
      Simplesmente, viva!

0 comentários:

 

2011 por Natalia Araújo 2013 por Allan Penteado. Exclusivamente para o blog Manuscrito. Cópia parcial ou integral é totalmente proibida.