Quem disse que não se pode discutir sobre política, futebol e religião?

Posted by Italo Stauffenberg Marcadores: , , , , , ,


      Acho engraçado vivermos a cada dois anos períodos de intensa promoção política e nos considerarmos apolíticos. Queremos questionar o que se passa na novela, se gostamos ou não da atuação de um ator ou atriz, se o autor da novela é condizente com a realidade social ou se cria apenas uma ficção para satisfazer as suas próprias vontades de um mundo irreal, se no futebol a seleção deveria ou não ser dependente do jogador Neymar Jr ou até se a Banda Calypso ainda é o maior grupo de música popular do país, mas quando o assunto é política não queremos nos envolver e até mesmo não queremos que ninguém comente sobre nada relacionado.
      E toda vez que me deparo com esta situação me pergunto: por que ninguém gosta de falar de política? Há uma máxima popular que diz que política, futebol e religião não se discute. De fato, é impossível "discutir" sobre assuntos tão polêmicos, mas o debate e o diálogo das ideias é sempre válido e oportuno. O futebol está para a política quanto a política para a religião e a religião para o futebol. Não há como desassociar um fato do outro. E quando o assunto são estas três esferas da cultura popular brasileira não há como fugir.
      Crescemos ouvindo dos nossos pais e somos reprodutores do discurso de que, por sermos brasileiros, somos os herdeiros legítimos do futebol. Somos o país do futebol. O estereótipo é reforçado na medida em que os jogadores da seleção de futebol do país em cinco competições mundiais do esporte conquistaram o título de campeão e também somos conhecidos por exportarmos os melhores jogadores para o mundo e concentrarmos as maiores torcidas. Tudo isso requer muito custo, muita atenção, muita dedicação.
      Quando é chegado os finais de campeonato ou as Copas do Mundo de Futebol, os bares, as esquinas, os encontros casuais de amigos se intensificam e a pauta não pode ser outra a não ser o futebol. Tudo se discute. Seja a melhor atuação de um jogador ou a pior, seja o posicionamento de um zagueiro na linha do gol ou se o goleiro levou um “frango”. Questionar as decisões dos técnicos e dos juízes se tornou algo mais do que rotineiro.
      Quando o assunto é religião somos fadados a reprimir as religiões de cunho afro-descendente, mas outorgamos as cristãs, seja de origem católica ou protestante. Dizemos que não somos preconceituosos, mas não queremos estar cercados por pessoas que fazem “trabalhos” de macumba, umbanda ou feitiçaria. Não, não, não! É inadmissível tais expressões religiosas na cultura brasileira.

     
     Todavia, quando nos voltamos para falar de política nos cercamos de um falso moralismo que chega até ser infantil. Defendemos até a morte os nossos candidatos. E, se por ventura, ele estiver envolvido em algum caso de corrupção podemos jogar tudo para debaixo do tapete e só retirar a sujeira depois do período eleitoreiro.
      Atualmente, vivo incomodado com a acomodação do povo brasileiro ante o sistema político que nos rege. Em 2013, especificamente, no dia 13 de junho, milhares de pessoas saíram nas ruas de São Paulo reclamando do ajuste na tarifa de ônibus. Eram R$ 0,30 que não apenas sairiam do bolso do paulistano, mas que se reverberaram num grito de clemência ante o desajuste das políticas públicas a nível nacional. 
   Os jovens foram para as ruas, levantaram cartazes e protestaram contra o sistema. Reivindicaram novas leis, um melhor sistema político e o pedido da não aprovação da PEC 37, projeto de emenda constitucional que limitava a ação do Ministério Público ante os crimes cometidos por representantes do poder Executivo e Legislativo. Um crime contra a democracia. Não, melhor, uma desmoralização da democracia.
      Lembrando disso tudo, me questiono se realmente adiantou alguma coisa toda essa estapafúrdia cometida pela população brasileira caso venhamos reeleger os mesmos representantes por mais quatro anos. Seria tal decisão falta de vergonha ou esquecimento? Seria a reeleição de governantes como Dilma Rousseff (PT) mais um atraso político ou a falta de consciência dos brasileiros?
      Não, não dá para se omitir quando o assunto é política. A responsabilidade é de cada cidadão que, ao momento que escolhe um candidato para lhe representar transfere autoridade suficiente para que este candidato tome decisões em seu nome. É o seu nome que é representado cada vez que um escândalo de mensalão ou petrolão acontece. É o nosso nome que é jogado em meio a “Medina”.
      No exterior somos vistos como uma nação que aceita bem a prática da corrupção. Fazemos tanta questão de propagar o “jeitinho brasileiro”, que esquecemos que esse jeitinho nada mais é do que uma forma corrupta de nos livrarmos de determinadas implicações. Cabe a mim, a você, a nós, a mudança nesse sistema político brasileiro. Não se omita, não se permita calar. Use a sua voz para pregar a verdade e mudar o seu país.
     Tenho total certeza de que o futuro que você sonha para o seu filho não é o presente que você vive. E do jeito que as coisas caminham o Brasil não poderá chegar no limite que lhe é devido se as coisas continuarem do jeito que estão. Reflita, você é capaz de mudar o Brasil.  

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2011 por Natalia Araújo 2013 por Allan Penteado. Exclusivamente para o blog Manuscrito. Cópia parcial ou integral é totalmente proibida.