Os figurinos luxosos de Cinderela

Posted by Italo Stauffenberg Marcadores: , , , , , , , , , , ,

Cinderela, aposta da Disney para este ano, já está em cartaz nos cinemas brasileiros.

          Quando somos crianças ouvimos várias histórias que permeiam a nossa infância. Quem é menino acostuma-se a ouvir que o Super Homem, Homem Aranha, Batman e outros tantos super heróis são seres fantásticos e, querer ser parecido com um deles é mais que comum. Tão comum quanto se vestir com as roupas deles para personificar o ideário. Já as meninas são enfadadas a escutar os românticos contos de fadas: Branca de Neve, Bela Adormecida, Bela e a Fera, Chapeuzinho Vermelho e Cinderela. Perceba que cada uma dessas princesas adota uma cor que representa a sua áurea. Por exemplo, a Bela Adormecida, por ser doce e serena, carrega um lindo vestido rosa. A Branca de Neve, alegre e espontânea, é adornada por vestes azuis, vermelhas e amarelas. A jovem Bela, curiosa e destemida, é caraterizada pelo amarelo. Já a Cinderela, gentil e corajosa, é docemente acalentada por um lindo vestido azul.
      Curioso, não é verdade?
      Sou menino (pleonasmo dissonante, rs), mas sempre curti essa parada de realeza, reinos, princesas e príncipes. Tá, eu nunca me achei um lorde inglês, mas essas histórias, para quem conserva ares românticos apesar de não demonstrar, são bastante reflexivas. Recentemente, acompanhei algumas adaptações dos cinemas para estas histórias de contos de fadas e pude me surpreender com algumas, enquanto que em outras tive a grata desilusão de dizer: que droga é essa?

Lily Collins surpreendeu com o vestido da Branca de Neve em Espelho, Espelho Meu.

       Lembro que assisti Espelho, Espelho Meu (2012), de Tarsem Singh, e fiquei encantado com a atuação de Júlia Roberts como a Rainha Má. Ela não era tão má, só invejosa, pois queria ser eternamente bela e não aceitava que ninguém ficasse a frente de sua beleza (que por sinal, é digna, já que a Roberts é pura sedução). Branca de Neve, interpretada por Lily Collins (menina estranha, convenhamos), era serena e não fazia esse “ar” de princesa boba. Também fiquei bastante impressionado com o figurino dado a ela, já que fugiu totalmente dos padrões do desenho animado. Todo azul, o destaque para o traje está no enorme laço de fita em seda alaranjado nas costas. No final do filme, Collins solta a voz, canta I Belive (in Love) e dança com todo o elenco no melhor estilo bollywood.

Jolie apostou em outra versão da história de Bela Adormecida e agradou o público.

       Malévola (2014), brilhantemente interpretada por Angelina Jolie, também foi outra grata surpresa. A história da Bela Adormecida contada pela vilã não poderia ser melhor. Ela também não era má, apenas ressentida. E, para quem é mulher, ressentimento é pior do que o ódio declarado. Malévola, na verdade, era apenas uma fada traída por seu grande amor. Em virtude da ganância deste amor, que cortou suas asas para se tornar rei, Malévola caiu em profunda escuridão e passou a atuar nas sombras das florestas até se deparar com Aurora (Elle Fanning), uma doce garota que transformou seu coração.

Obscuro, adaptação francesa de A Bela e a Fera foi um fiasco.

       Em contrapartida, a adaptação dada para a história de A Bela e a Fera (La Belle et la Bête, 2014), do diretor Christophe Gans, não convenceu nem a mais leiga pessoa da face da Terra. O filme, obscurecido e distante do conto original, priorizou os conflitos internos da Fera (Vicent Cassel), um rei que foi enfeitiçado por ter matado sua ex-esposa, um ser encantado da floresta. A atuação de Bela (Léa Seydoux) também não foi a das melhores e a história foi completamente ofuscada por “limitar’ a magia que rondava o casal.

Novo filme da Disney agrada pela boa interpretação de Lily James, como Cinderela.

       Recentemente, fui ao cinema assistir Cinderela, adaptação do diretor Kenneth Branagh. É fato que Cinderela é a história mais explorada dos contos de fadas. Tanto no cinema quanto na televisão, seja no teatro, ballet ou ópera, a história da menina órfã que é explorada pela madrasta má e suas irmãs postiças comovem todos os tipos de público.
       Ao que me vem à memória sobre as adaptações mais conhecidas de Cinderela, posso citar Cinderela (1997), musical de Rodgers e Hammerstein que traz Brandy Norwood no papel principal e Whiteney Houston como a fada madrinha e Whoopi Goldberg como a Rainha. Tem também Para Sempre Cinderela (1998), estrelado por Drew Barrymore. O filme é uma releitura do clássico infantil em que Danielle é uma garota geniosa e esperta que conquista o príncipe antes do baile de noivado. Em 2004, no filme A nova Cinderela, Hilary Duff viveu Samantha Montgomery, uma adolescente órfã que era humilhada pela madrasta e suas filhas, além de ser obrigada a trabalhar em uma lanchonete para poder sobreviver. Aproveitando o sucesso na Disney Channel, em Outro Conto da Nova Cinderela (2008), Selena Gomez deu sequência ao filme estrelado por Duff dando vida a Mary Santiago, uma menina órfã que passa a viver com Dominque Blatt (Jane Lynch), uma cantora pop que caiu no esquecimento.

Lily James e Richard Madden são Ella e Kit (ou Cinderela e o Príncipe Encantado).

        O fato é que a Cinderela de Branagh não foge a tradição. É meiga, serena, sofredora e bonita. Ela é interpretada por Lily James, atriz britânica ainda pouco conhecida do grande público. O príncipe, aqui chamado carinhosamente de Kit, é mais um rostinho bonito. Aliás, pelo menos para mim, ele foge completamente a linha dos príncipes encantados loiros, altos, encorpados e de olhos azuis. Tudo bem que Richard Madden (o Robb Stark, de Game of Thrones) tem um belo par de olhos azuis, mas é só. Acredito que o “ar” de "encantado" é o que faz a diferença em sua atuação.

Madrasta e irmãs postiças de Cinderela se destacam pelo luxuoso e excêntrico figurino. 

        Diante de tantas vilãs épicas, como Roberts (Espelho, Espelho Meu) e Jolie (Malévola) era de se esperar uma baita madrasta ruim de Cate Blanchett. Bom, isso não aconteceu. Fiel ao conto original, Blanchett não surpreendeu na vilania e faz o que se espera de toda madrasta ruim: humilhações diárias e ar de superioridade. Ela se diferencia das outras vilãs por sua elegância e vestidos deslumbrantes. O que também não é nada impossível, já que ela brilhantemente interpretou por duas vezes a Rainha Elizabeth II nas telonas. As irmãs postiças, Anastasia e Drisella (Holliday Grainger e Sophie McShera, respectivamente) são tontas, fúteis e lembram, e muito, Tweedledee e Tweedledum, os gêmeos gordinhos de Alice no País das Maravilhas.

Helena Bonham Carter deixa as vilãs e dá vida a uma fada camarada.  

         Eu não sei você, mas algo destoou no filme: Helena Bonham Carter fazendo a fada madrinha. É impossível não lembrar da atuação dela como a Rainha Vermelha (ou Rainha de Copas, como preferir), de Alice no País das Maravilhas (2010). Pelo menos, para mim, Bonham Carter é genuinamente uma vilã. Belatrix Lestrange, arquirrival de Harry Potter que o diga. Em Cinderela, Carter faz a típica fada atrapalhada e cômica, que realiza o desejo da pobre menina órfã que não pode ir ao baile real.

FIGURINOS –

      Apresentados os personagens e seus devidos afazeres, outra coisa me chamou atenção nesta adaptação de Cinderela: o figurino. Assinado por Sandy Powell (três vezes vencedora do Oscar nessa categoria), as indumentárias de todos os envolvidos no filme são deslumbrantes. E o cenário nem se comenta. Algo incrível.

Cena de Cinderela, ao chegar no baile real.

      Durante grande parte do filme, Lily James aparece com um vestidinho azul bem maltrapilho. O que me fez perguntar: essa sebosa não toma banho? Brincadeiras à parte, a intenção do diretor é justamente fixar no expectador toda a áurea da menina órfã, que é gentil e corajosa. Aliás, gentileza e coragem são os ensinamentos mais disseminados por todo o filme, já que ao morrer, a mãe de Cinderela a pediu para ser gentil e corajosa o tempo todo.  

Vestido tem referências do clássico de 1950, mas destaca-se pelo luxosismo.

        Powell começou a trabalhar nos conceitos de cada figurino dois anos antes de a fotografia principal começar. Ela se baseou no século XIX por ser um período cheio de fábulas. Em uma das muitas entrevistas que deu na Inglaterra, seu país de origem, Sandy Powell revelou que o vestido principal de Cinderela deu realmente muito trabalho. Ela nunca passou tanto tempo em um traje como com o vestido de Cinderela.

Cena de Cinderela, no vestido de baile com mais de 10 mil cristais Swarovski.

       Segundo a figurinista, o vestido do baile tinha que ser espetacular, mas sem muitos exageros, como excessos de adornos, brilhos, pedrarias, joias, penduricalhos, tiaras e outras coisas. O fato é que o vestido ficou perfeito. Não é à toa que em sua confecção foram usados mais de 250 metros de tecido e 10 mil cristais Swarovski, inúmeras anáguas e mais de cinco quilômetros de costura. E olha que, em entrevistas, Powell garantiu que o vestido tinha que ser o mais “simples” possível para gerar no expectador todo o espírito de liberdade e gentileza de Cinderela. Algo que achei desnecessário, mas que foi fiel ao traje da menina órfã do desenho original da Disney de 1950 foi a gola repleta de borboletinhas. Para se ter uma ideia, devido ao tempo de filmagem, foram necessários nove vestidos para que Lily James encantasse o público na valsa com o príncipe no baile real.

Valsa real.

        Tanto glamour foi destacado na fala do príncipe Kit, que ao ser indagado por Cinderela de que todos os convidados estavam olhando para eles, ele a corrige e diz: Eles estão observando você!

Vestido de Helena Bonham Carter teve mais de 400 lâmpadas de LED.

      Já disse que não gostei muito da atuação de Helena Bonham Carter como a fada madrinha (questão pessoal), mas também devo confessar que o vestido usado por ela também é totalmente dispensável. Sabe aqueles vestidos que fazem a pessoa parecer um bolo gigante? Pois bem, Carter ficou assim. Cheio de brilho, o vestido tem 400 lâmpadas de LED, precisou de quase 120 metros de tecido e milhares de cristais Swarovski. Quando usado pela atriz, ele chegava a mais de 1,2 metro de largura.

Cate Blanchett, a madrasta Lady Tremaine ostenta belíssimos vestidos.

      A queen B, Cate Blanchett, foi a mais agraciada pelas mãos de Sandy Powell. Em todas as cenas, a madrasta má aparece com vestidos deslumbrantes e cheios de detalhes riquíssimos em alta costura. Magra, ruiva e belíssima, Blanchett aparece na primeira cena com um gigante chapéu sob a cabeça com véu de poá em um traje preto com dourado com flores aplicadas ou bordadas sobressaindo tanto na parte superior quanto na barra da longa saia.

Imponente vestido de baile de Lady Tremaine é um dos destaques no figurino de Cinderela.

      No melhor estilo vilã rica, apesar de pobre, o vestido do baile da madrasta má tem uma força arrebatadora com seus drapeados e curvas, sua gola posterior, a pena alta aplicada no cabelo que aumenta a estatura, o contraste do verde do vestido com o cabelo ruivo, as luvas douradas e a composição com as joias.

Sapatinhos de cristal, infelizmente, não podem ser utilizados.


      Ok. Tudo lindo até agora, mais e o sapatinho de cristal? Confeccionado exclusivamente para o filme, segundo Powell, eles não podem ser utilizados no dia-a-dia e foram confeccionados em cristais Swarovski. Os mais de 100 adereços e 30 vestimentas utilizadas na produção cinematográfica estão em exposição na mostra Disney's Cinderella Exhibition Presented By Swarovski, no parque Leicester Square Gardens, em Londres, Inglaterra. Ao todo, as vestimentas usaram 1,7 milhão de cristais Swarovski.


Assista o trailer de Cinderela

4 comentários:

  1. Moysanielson Alves

    Fantástica sua análise a respeito do conto de fadas Cinderela. Foste muito feliz nos comentários e críticas acerca da preocupação da Direção, da Produção, dos Figurinistas e etc, em manter a fidelidade à linha narrativa do conto. Parabéns.

  1. Moysanielson Alves

    Fantástica sua análise a respeito do conto de fadas Cinderela. Foste muito feliz nos comentários e críticas acerca da preocupação da Direção, da Produção, dos Figurinistas e etc, em manter a fidelidade à linha narrativa do conto. Parabéns.

  1. Moysanielson Alves

    Fantástica sua análise a respeito do conto de fadas Cinderela. Foste muito feliz nos comentários e críticas acerca da preocupação da Direção, da Produção, dos Figurinistas e etc, em manter a fidelidade à linha narrativa do conto. Parabéns.

  1. Moysanielson Alves

    Fantástica sua análise a respeito do conto de fadas Cinderela. Foste muito feliz nos comentários e críticas acerca da preocupação da Direção, da Produção, dos Figurinistas e etc, em manter a fidelidade à linha narrativa do conto. Parabéns.

 

2011 por Natalia Araújo 2013 por Allan Penteado. Exclusivamente para o blog Manuscrito. Cópia parcial ou integral é totalmente proibida.