Resenha de Whiplash - Em Busca da Perfeição

Posted by Italo Stauffenberg Marcadores: , , , , , , , , , ,

Whiplash – Em Busca da Perfeição conta a história de um jovem que persiste para ser o melhor baterista de jazz. (Foto/Divulgação)

Resiliência, termo utilizado na psicologia e emprestado da física, que define a capacidade de um indivíduo lidar com problemas ou superar obstáculos sem entrar num surto psicológico, talvez, seja o ponto principal de Whiplash – Em Busca da Perfeição, filme dirigido e roteirizado por Damien Chazelle e vencedor de três Oscars, entre eles melhor montagem, melhor mixagem de som e melhor ator coadjuvante para J.K. Simmons.
A trama de Chazelle narra a história de Andrew Neyman (Miles Teller), um estudante de 19 anos, que acabara de entrar para a Shaffer Conservatory Music, uma das mais conceituadas escolas de música dos Estados Unidos. Obstinado, Neyman mantém desde pequeno o sonho de ser um dos melhores bateristas do século. Por isso, ele escuta religiosamente os álbuns de Buddy Rich, um dos maiores bateristas de jazz que o mundo já conheceu.
Contudo, para obter êxito na recém-chegada faculdade, Neyman precisaria chamar a atenção de Terence Fletcher (J.K. Simmons), um professor carrancudo que possui métodos nada convencionais para ensinar seus alunos. Após tocar uma double time swing – um tipo de marcação de ritmo na bateria – Neyman é escolhido por Fletcher para integrar a Studio Band, principal orquestra da Shaffer. Lá, ele será aterrorizado pelo novo professor, que o tratará de forma ríspida e o humilhará diariamente ante os demais companheiros de banda.
Em algumas entrevistas, Chazelle afirmou que o filme é quase autobiográfico, uma vez que, por ele ter tocado bateria na adolescência e ser fã de jazz, também foi hostilizado por professores assim como Neyman. Esta, talvez, seja uma das mais brilhantes atuações de Miles Teller no cinema. Apesar de ter sido escalado para compor o elenco do novo Quarteto Fantástico – que estréia ainda neste ano - e de integrar a série Divergente, o ator precisava de um filme que o consolidasse como uma das promessas de Hollywood.

J.K. Simmons interpreta o professor carrasco Terence Fletcher. (Foto/Divulgação)

No longa-metragem, o personagem de Teller é um rapaz solitário, que não possui amizades, mas mantém o desejo de ser reconhecido. Neyman é filho de um escritor mal sucedido (Paul Reiser) que, para sobreviver, foi obrigado a dar aulas de literatura em uma escola de ensino médio. Sua mãe o abandonou quando ainda era bebê. Seus tios e primos rejeitam a hipótese de que ele venha ser um grande músico e o tratam com descaso.
O que vale destacar no premiado filme de Chazelle é o terror psicológico. Ambientado em Nova York, mas gravado em Los Angeles, todo o filme é pura tensão. É impossível não criar repulsa pelas atitudes do professor Fletcher, que com um simples gesto com a mão e um grito já sentencia que ali quem manda é ele. Não é à toa que o ator J.K. Simmons, nos altos dos seus 60 anos, foi consagrado com um Oscar por sua atuação.
Em vários momentos chega-se a cogitar que Neyman pode perder a cabeça com o professor insano, mas o sangue frio e a persistência são marcas fortes do garoto. Em algumas cenas, Neyman chega a sangrar de tanto praticar na bateria para buscar a perfeição e conquistar ainda mais a atenção de Fletcher.
Para quebrar a linha tensional, Chazelle introduziu na trama uma possível namorada para Neyman. Interpretada por Melissa Benoist – conhecida pelo papel da bulêmica Marley Rose, do seriado Glee -, Nicole, uma atendente da lanchonete, é uma personagem dispensável. Não que a atriz seja ruim, mas sua inserção na história para amenizar os conflitos encarados por Neyman nas aulas com Fletcher poderiam ser explanadas por outro recurso.
Whiplash – Em Busca da Perfeição não é um filme sobre o jazz, mas sobre resiliência e persistência. Ao assisti-lo, a sensação que se cria é de repulsa aos métodos utilizados por Fletcher, já que ele bate no rosto dos alunos, arremessa cadeiras em quem não está tocando direito, grita, xinga e externa os piores medos de quem lidera.
No entanto, a trama também te faz perceber que é possível vencer todos os percalços da vida. Se uma bailarina, para alcançar a linha corporal perfeita, treina horas a fio e desgasta os pés com tanto treino por que um baterista não poderia suar desesperadamente e sangrar ao ponto de perder todas as suas forças só para conquistar o direito de tocar uma música?
Além de ter conquistado três estatuetas no Oscar, barganhado três BAFTA’s e um SAG, Whiplash - Em Busca da Perfeição conquistou dois prêmios no Festival de Sundance só neste ano. O filme é precedido por um curta-metragem homônimo de 18 minutos estrelado por Jhonny Simmons no papel de Andrew Neyman que também venceu duas categorias no Sundance de 2013. 

J.K. Simmons ganhou o Oscar de Melhor Ator Coadjuvante por sua interpretação. (Foto/Divulgação)

Comentário publicado no jornal O Estado do Maranhão no dia 13 de maio de 2015. 

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2011 por Natalia Araújo 2013 por Allan Penteado. Exclusivamente para o blog Manuscrito. Cópia parcial ou integral é totalmente proibida.