"Peter Pan" cria hipóteses para origem do menino órfão

Posted by Italo Stauffenberg Marcadores: , , , , , , , , ,


Peter Pan (Levi Miller)
 
Um menino órfão, de 12 anos e que não quer crescer. Essa história todo mundo já conhece, mas como seria o início de tudo? Como ele se tornou órfão, como chegou a Terra do Nunca, como aprendeu a voar? Foi pensando em hipóteses para as origens de Peter Pan que o diretor Joe Wright trouxe para os cinemas uma nova versão do clássico conto infantil de J.M. Barrie que conquistou gerações de crianças pelo mundo.
“Pan” (ou “Peter Pan”, na tradução brasileira) tem como pano de fundo a Segunda Guerra Mundial. Peter (Levi Miller) é deixado na frente de um orfanato por sua mãe (Amanda Seyfried), sem muitas explicações.  Ele cresce e, ao lado de seu melhor amigo Nibs (Lewis MacDougall), são constantemente humilhados por uma freira gorda e rabugenta.
Espertos, os órfãos logo traçam um plano para descobrir por que a comida do orfanato está cada vez mais escassa. É aí que eles descobrem o plano mirabolante da freira, que vende crianças para piratas com intuito de adquirir riquezas. Numa noite, Peter é levado para a Terra do Nunca em um navio voador tripulado por piratas malucos. 
 
 Barba Negra (Hugh Jackman)
 
No “novo mundo”, o menino órfão percebe a devoção daquele povo ao seu líder. Eles cantam apaixonadamente “Smells Like Teen Spirit”, do Nirvana, a um tirano com o rosto cheio de pó branco, peruca de Maria Antonieta e roupas de Luís XIV. O Barba Negra (Hugh Jackman) os atrai pelo carisma, e está a procura de um pó de fadas, que está escondido nas rochas de Neverland. O “Pixum”, como é chamado tal elemento, tem a capacidade de rejuvenescer qualquer pessoa. E para se manter jovial, Barba Negra obriga seus súditos a trabalharem em uma mineração.
É lá que Peter conhece James Hook (Garrett Hedlund), ou melhor, James Gancho. Não é à toa que o filme já começa alertando que “alguns inimigos começam sendo amigos...”. Para o diretor Joe Wright, o arquirrival de Peter, na verdade, era seu melhor amigo. Após achar uma lasca de pixum, Peter é tido como um mentiroso e ladrão e é sentenciado a morte por Barba Negra, O que ninguém contava é que o menino sobreviveria, pois ele tinha a incrível habilidade de voar.

 James Hook/Capitão Gancho (Garrett Hedlund)

Preocupado com uma lenda que afirmava que o filho de uma guerreira e o príncipe das fadas retornaria de outro mundo para lhe destruir, Barba Negra tenta persuadir Peter a todo custo, mas não encontra sucesso. Ele foge com Hook e o Sr. Smee (Adeel Akthar) em um navio voador para o Reino das Fadas, mas cai na Floresta do Nunca. Lá eles são atacados por pássaros gigantes, que possuem rostos esquisitos, mas penas deslumbrantes (aqui vale uma dica, o filme é excelente para se assistir em 3D). De subido, uma guerreira misteriosa, a princesa Tigrinha (Rooney Mara), os salva e leva para a tribo Niger. Ao confirmar a profecia, Peter fica confuso e não acredita que ele tenha realmente a capacidade de voar e que possa ser o salvador daquele reino ameaçado por Barba Negra.
Contrapontos -
Apesar de fluir bem, a nova história de Peter Pan deixa a desejar em alguns aspectos. Tudo bem que se trata de uma história infantil, mas até a versão original de J.M. Barrie não deixa fios soltos. Por exemplo, os navios só têm a capacidade de voar por conta do pó de pirlimpimpim extraído das fadas. No novo filme, nada é explicado sobre o porquê de navios circularem no ar. A Terra do Nunca, lugar em que qualquer criança poderia ter a liberdade para imaginar tudo o que quisesse, foi esquecida em sua essência. 
 
 Princesa Tigrinha (Rooney Mara)
 
Barba Negra não é nem bom nem mal, o que deixa o expectador confuso quanto a sua maldade. Muito pelo contrário, ele é caricato e tudo o que faz é por conta da beleza e, claro, se manter no poder. O futuro Capitão Gancho também tem uma atuação fraca. Ele é apenas charmoso e elegante. Não surpreende e nem deixa a expectativa de que em próximos filmes será o maior inimigo de Peter Pan. Aliás, o novo Peter é bem diferente da versão original, pois enquanto este é rebelde, arrogante e egocêntrico, aquele é apenas um menino esperto que quer encontrar sua mãe e que não traz à tona a preocupação em se tornar adulto. Sininho só aparece nos momentos finais do filme e com uma mísera participação. Isso deixa qualquer fã do conto infantil bem decepcionado.
Mas também não é só de pontos negativos que o filme se perfaz. Levi Miller, em seu longa-metragem de estreia, chama a atenção por sua atuação forte. O garoto rouba a cena, não por ser o protagonista, mas por representar bem a áurea de um menino órfão e aventureiro que faz de tudo para encontrar sua mãe até aceitar a idéia de que é o salvador de todo um reino.
Também é interessante a inclusão de hits da década de 1990, como canções do Nirvana e os Ramones, como representações do fanatismo de Barba Negra. Aliás, a trilha sonora conta com duas canções de Lily Allen, feitas exclusivamente para o filme.
 

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2011 por Natalia Araújo 2013 por Allan Penteado. Exclusivamente para o blog Manuscrito. Cópia parcial ou integral é totalmente proibida.