Considerações sobre o Oscar 2016

Posted by Italo Stauffenberg Marcadores: , , , , , , , ,


Aconteceu na noite do último domingo, 28, a 88ª edição da cerimônia do Oscar. Teve “reconhecimento” do trabalho do Leonardo DiCaprio, consagração de “Spotlight: Segredos Revelados” a melhor filme e “Mad Max: Estrada da Fúria” levando seis estatuetas. Houve também uns discursos em defesa da diversidade racial, mas nada que fosse algo espontâneo ou motivador. Tudo devidamente orquestrado. Lady Gaga fez uma performance forçada de “Til it happens to you” e Sam Smith ganhou a primeira estatueta. Ah, e quem assistiu a transmissão do evento pela Rede Globo “se lavou” de rir dos comentários monossilábicos de Glória Pires. Ir para Los Angeles pra quê? Do Brasil, a eterna Rute/Raquel reinou e soltou pérolas “dignas de Oscar”.
No entanto, vamos por partes que esse tapete vermelho rende muitos comentários. Foram 24 categorias. “Mad Max: Estrada da Fúria” foi o maior vencedor em número de estatuetas; “O regresso”, com três; “Spotlight: Segredos Revelados”, com duas. 13 filmes foram premiados com um Oscar, entre eles “A grande aposta”, “A garota dinamarquesa”, “O Quarto de Jack”, “Ponte dos Espiões”, “Ex-Machina: Instinto Artificial”, “Amy”, “Divertida Mente” e “O Filho de Saul”.
A noite começou sem muita badalação. O que se esperava era que DiCaprio fosse “recompensado” neste ano por outros trabalhos que a Academia o havia renegado; “O regresso”, que levou 12 indicações, arrebatasse mais da metade dos prêmios; “Mad Max: Estrada da Fúria” reinasse em quase todos os prêmios técnicos; e Sylvester Stallone, depois de interpretar Rocky Balboa por sete vezes, finalmente conseguisse uma estatueta dourada para pôr na prateleira de casa. Não foi dessa vez para alguns.

Alejandro González Iñárritu recebe o Oscar de melhor diretor por 'O regresso' (Foto: REUTERS/Mario Anzuoni)

Surpresas –
A primeira surpresa da noite foi o independente “Ex-Machina: Instinto Artificial” vencer na categoria de efeitos visuais. Ele concorria com “Mad Max: Estrada da Fúria” e “Star Wars: O despertar da força”. Para se ter uma ideia, quase todos os efeitos do filme de George Miller foram reais. Usou-se muito pouco efeito via computação gráfica. A franquia dirigida por JJ Abrams é sempre forte concorrente nessa categoria. Ninguém esperava que Andrew Whiteburst, Paul Norris, Mark Aredington e Sara Bennet fossem tirar o prêmio de grandes blockbusters.

Mark Rylance recebe Oscar de ator coadjuvante por 'Ponte dos espiões' (Foto: REUTERS/Mario Anzuoni)

Integrando o time da “caixinha de surpresas” está o ator britânico Mark Rylance. Ele interpretou o espião soviético Rudolf Abel, em “Ponte dos Espiões” - filme protagonizado por Tom Hanks e dirigido por Steven Spielberg. O ator veterano frustrou as esperanças de Sylvester Stallone, que era franco favorito a estatueta. O eterno Rocky Balboa já havia conquistado alguns festivais anteriores pelo desempenho em “Creed: Nascido pra Lutar”, mas a Academia ignorou os antecedentes e deu a estatueta para o inimaginável. A categoria era completada por Mark Ruffalo (“Spotlight: Segredos Revelados”), Tom Hardy (“O regresso”) e Christian Bale (“A grande aposta”).


Equipe de 'Spotlight' recebe Oscar de melhor filme em Los Angeles (Foto: REUTERS/Mario Anzuoni)


Quem também surpreendeu foi “Spotlight: Segredos Revelados”. O filme dirigido pelo “novato” Thomas McCarthy conta a história real de um grupo de jornalistas em Boston que reúne milhares de documentos capazes de provar diversos casos de abuso de crianças, causados por padres católicos. O filme ainda faturou a estatueta de Melhor Roteiro Original e consagrou-se o grande vencedor desta edição.

Sam Smith e Jmmy Napes recebem oscar por 'Writing's on the wall' (Foto: REUTERS/Mario Anzuoni)

Sam Smith tirou qualquer possibilidade de Lady Gaga repetir a façanha de Adele, em 2013, por “Skyfall”. O conterrâneo da interprete de “Hello” conquistou seu primeiro Oscar pela bela composição de “Writing’s on the wall”. O moçoilo agradeceu o prêmio concedido pela Academia e o ofereceu a comunidade LGBT. Lady Gaga “tentou” emocionar a plateia fazendo uma performance bem caricata e forçada. Nada que se compare a apresentação épica e antológica de John Legend, no ano passado, por "Glory", do filme “Selma”. A mother Monster precisa ralar muito para ter o devido reconhecimento pelos conservadores de Hollywood.


Leonardo DiCaprio recebe Oscar de melhor ator por 'O regresso'' (Foto: REUTERS/Mario Anzuoni)


Já era esperado –
O prêmio mais aguardado era o de Melhor Ator. DiCaprio conseguiu convencer a Academia por sua interpretação em “O regresso”. O ator fez um discurso emocionado e politizado enfatizando a mudança climática e apontando que este é o grande problema que a humanidade enfrenta na atualidade. Vou confessar pra vocês que torcia por Eddie Redmanyne, de “A garota dinamarquesa”.
Leonardo DiCaprio bateu na trave em "O lobo de Wall Street" (2014), "Diamante de Sangue" (2007), "O aviador" (2005) e "Gilbert Grape: Aprendiz de Sonhador (1993) - este último na categoria de coadjuvante. ​Ele fez outras interpretações "dignas de Oscar", mas que foram ignoradas pela Academia, como em Django Livre (2012), "A origem" (2010), "Ilha do Medo" (2008), "Os infiltrados" (2006), "Prenda-me se for capaz" (2002), "Gangues de Nova York" (2002) e até em "Titanic" (1997). 

Alicia Vikander recebe o Oscar de melhor atriz coadjuvante por 'A garota dinamarquesa' (Foto: Chris Pizzello/Invision/AP)

Na categoria de Melhor Atriz, Brie Larson conquistou o que todos já esperavam. Ela simplesmente venceu todos os prêmios em que disputou pela personagem de “O Quarto de Jack”. O filme é emocionante e a atuação da atriz é impactante. Merecido. Na de coadjuvante, a sueca Alicia Vikander “papou” a primeira estatueta em sua primeira indicação. De fato, ela “rouba” a cena em “A garota dinamarquesa”. E, para quem assistiu o filme, a pergunta que se faz é: a garota dinamarquesa é o Eddie Redmayne ou a Vikander? Daí a prova de que essa indicação não tinha como Rooney Mara (“Carol”), Kate Winsley (“Steve Jobs”), Rachel McAdams (“Spotlight: Segredos Revelados”) ou Jennifer Jason Leight (“Os oito odiados”) atrapalhar.


Brie Larson recebe o Oscar de melhor atriz por 'O quarto de Jack' (Foto: Chris Pizzello/Invision/AP)


Outro ovacionado nesta edição do Oscar foi o maestro italiano Ennio Morricone. Ele já havia sido indicado em outras cinco oportunidades: “Cinzas no Paraíso”, “A missão”, “Os intocáveis”, “Bugsy” e “Malena”. O musicista entra para a história como um dos mais velhos a conquistar uma estatueta da Academia. Em discurso emocionado, ele agradeceu o apoio da esposa Maria. Morricone eliminou as chances de fortes concorrentes, como John Williams (“Star Wars: O despertar da força”) e Carter Burwell (“Carol”).
O húngaro “O Filho de Saul” também faturou a estatueta de Melhor Filme Estrangeiro. O documentário “Amy”, que contou a vida obscura da cantora londrina Amy Winehouse também faturou o Oscar na categoria de documentário. O filme foi o segundo do segmento mais visto na Inglaterra. Só perdeu para “Senna”, que foi dirigido pelo mesmo diretor, Asif Kapadia.
Em número de troféus, “Mad Max: Estrada da Fúria” foi o grande vencedor. O filme do australiano George Miller levou seis estatuetas. Todas em prêmios técnicos. O que era bastante esperado. A quarta sequência do insano Max surpreendeu a todos em 2015. Bem dirigido e produzido, era praticamente impossível não reconhecer esse primoroso trabalho. Uma aula para os jovens diretores. Um senhor de 70 anos sabe ainda como fazer bons filmes de ação que conquistam até a ala mais tradicional da Sétima Arte. Parabéns, Miller!

Ficou a desejar -
Em resumo, a 88ª edição do Oscar não teve muitos alardes. Foi até sonolenta. A escolha de Chris Rock para ser o anfitrião também não foi uma das melhores. Ele já havia sido escolhido para este ofício anos antes, mas sabe aquela “coisa” que faltou para animar geral? Pois é, não houve. Foi bem enfadonha. Confesso que Ellen Denegeres seria bem melhor e mais espontânea.
Para suavizar a polêmica de que a Academia é racista, a organização desta edição da cerimônia lotou as apresentações de entrega de prêmios com artistas negros. A presidente da entidade, Cheryl Boone Isaacs, proferiu um discurso “bem ensaiado”, mas que não convenceu. É preciso sim haver diversidade em Hollywood e não só com negros, mas com latinos, filmes independentes e por aí vai.
Ah, as interpretações das músicas indicadas na categoria Melhor Canção Original também foram pavorosas. Não só a da Lady Gaga, como comentei parágrafos acima, mas a do The Weeknd foi bem monótona. Aliás, nem entendo o porquê dessa música ter sido escolhida. Enfim, são “coisas do Oscar”, não é verdade?

Cadê o bafão -
A cerimônia também não teve nenhum “bafão”. Nada que seja digno de ficarmos falando por semanas. A única coisa boa foi que a Rede Globo “acertou” ao convidar Glória Pires para dar os melhores comentários. A vontade era de dar uma sacudida na mulher pra ver se ela se aluía e falava algo que preste. Mas valeu o entretenimento, pois nossa eterna Rute/Raquel deixou o twitter em polvorosa. Um salve para a dona que falou coisa com coisa e parecia mais perdida que cego em tiroteio! Linda, rainha. Próximo ano queremos SUSANINHA VIEIRA!



Confira a lista dos vencedores do Oscar 2016
Melhor Filme – “Spotlight: Segredos Revelados”
Melhor Ator – Leonardo DiCaprio (“O regresso”)
Melhor Atriz – Brie Larson (“O Quarto de Jack”)
Melhor Direção – Alejandro González Iñárritu (“O regresso”)
Melhor Ator Coadjuvante – Mark Rylance (“Ponte dos Espiões”)
Melhor Atriz Coadjuvante – Alicia Vikander (“A garota dinamarquesa”)
Melhor Filme Estrangeiro – “O Filho de Saul”
Melhor Canção Original – “Writing’s on the wall” (“007 contra Spectre”)
Melhor Roteiro Original – “Spotlight: Segredos Revelados”
Melhor Roteiro Adaptado – “A grande aposta”
Melhor Fotografia – Emmanuel Lubezki (“O regresso”)
Melhores Efeitos Visuais – “Ex-Machina: Instinto Artificial”
Melhor Documentário – “Amy”
Melhor Edição de Som – “Mad Max: Estrada da Fúria”
Melhor Mixagem de Som – “Mad Max: Estrada da Fúria”
Melhor Montagem – “Mad Max: Estrada da Fúria”
Melhor Filme de Animação – “Divertida Mente”
Melhor Figurino – “Mad Max: Estrada da Fúria”
Melhor Curta-Metragem – “Historia de um oso”
Melhor Direção de Arte – “Mad Max: Estrada da Fúria”
Melhor Documentário de Curta-Metragem – “A girl in the river: The price of forgiveness”
Melhor Curta-Metragem de Live Action – “Stutterer”
Melhor Trilha Sonora – Ennio Moricone (“Os oito odiados”)
Melhor maquiagem – “Mad Max: Estrada da Fúria”

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2011 por Natalia Araújo 2013 por Allan Penteado. Exclusivamente para o blog Manuscrito. Cópia parcial ou integral é totalmente proibida.