Após confusão com troca de envelopes, "Moonlight", de Barry Jenkins, leva estatueta de Melhor Filme na 89ª edição do Oscar

Posted by Italo Stauffenberg Marcadores: , , , , , , , ,



Eu tô no chão.
Pisado. Humilhado. Estraçalhado.
Confesso que estava achando a cerimônia de entrega do Oscar 2017 uma chatice até que, graças a uma grande ironia do destino, quando desligo a televisão e vou para internet, o que leio? “La La Land – Cantando as Estações” não levou a estatueta de Melhor Filme, como anunciado pelo atores Warren Beaty e Faye Dunaway, mas “Moonlight – Sob a Luz do Luar”. É meus amigos, é o Miss Universo 2015 assombrando Hollywood. Dito isto, segue é com seis estatuetas que “La La Land – Cantando as Estações” consagrou-se o grande vencedor da 89ª edição do Oscar. O filme dirigido por Damien Chezelle recebeu 14 indicações e levou os principais prêmios: direção e atriz. Os dramas “Moonlight – Sob a Luz do Luar” levou três, incluindo Melhor Filme, e “Manchester à Beira-Mar”, além do longa-metragem de guerra “Até o Último Homem” conquistaram, cada um, duas premiações.
Apesar do que se esperava, a cerimônia não foi marcada por grandes discursos políticos e críticas a todo tempo ao governo Trump. É claro que houve momentos para se ironizar o então presidente dos Estados Unidos, mas nada comparado ao que aconteceu em premiações anteriores. Meryl Streep provou que não é uma “atriz superestimada” e foi aplaudida de pé por todos os colegas de profissão que estavam presentes no Teatro Dolby, em Los Angeles.


Bapho -
Como já esperado, o musical contemporâneo de Damien Chezelle, diretor de apenas 32 anos, confirmou o favoritismo da temporada e provou que a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas continua apostando no “mais do mesmo”. Não que o filme seja de todo ruim, mas chega até ser “blasé” premiar algo que homenageia Hollywood.
O momento épico da noite foi saber que toda a galera de “La La Land”, depois de agradecer “Deus e o mundo” pelo Oscar de Melhor Filme, teve que sair de fininho do palco do Teatro Dolby e deixar que a gangue (no melhor sentido da palavra) de “Moonlight” agradecesse pelo brilhante filme – e com méritos. A vida tem dessas. E a internet caiu com essa zoeira.


Surpresa -
No entanto, a noite de premiações ficou marcada por algumas surpresas. É o caso de Casey Affleck, que levou a primeira estatueta de Melhor Ator. Na categoria, ele disputava com o forte favorito Denzel Washington, que esboçou profundo descontentamento com a escolha dos jurados. Eu confesso que estava na torcida pelo irmão de Ben Affleck. E fica aqui o convite para você assistir “Manchester à Beira-Mar”, filme que também conquistou o prêmio de roteiro original.


Viola Davis, na minha humilde opinião, foi a grande vitoriosa da noite. A atriz levou a estatueta de coadjuvante pelo filme “Um limite entre nós (Fences)” - por questões de lobby da Paramount, Davis não concorreu na categoria de Atriz principal, embora seu trabalho pise no que foi apresentado por Emma Stone, em "La La Land". Desta forma, Davis é a primeira atriz negra a conquistar todos os principais prêmios da indústria artística. Ela já tem dois Tony (maior premiação do teatro), um Emmy (televisão), um Globo de Ouro e um Oscar (cinema). Com um discurso emocionado, Viola ressaltou a importância da profissão do ator.

“Obrigada à Academia. Só há um lugar onde pessoas com grande potencial estão juntas. Esse lugar é o cemitério. As pessoas sempre me perguntam, ‘Quais histórias você quer contar, Viola?’ E eu digo: Desenterrem esses corpos. Desenterrem essas histórias. Histórias de pessoas que sonham alto e não têm esses sonhos realizados; pessoas que se apaixonaram, mas esse amor não deu certo. Eu me tornei uma artista e graças a Deus consegui, pois somos a única profissão que celebra o que significa viver uma vida. Então esse prêmio vai para August Wilson [criador da peça na qual ‘Um Limite Entre Nós’ é baseado] por ter desenterrado e exaltado as pessoas normais. (…) Esse filme é sobre pessoas, palavras, vida, perdão e graça. Esse prêmio vai ao elenco do filme por serem os artistas mais incríveis com os quais já trabalhei. Meu capitão, Denzel Washington. Obrigada por ter colocado duas entidades conosco: August e Deus. A Dan e Mary Alice Davis [pais de Viola], os centros do meu universo, as pessoas que me ensinaram o bem e o mal, como falhar, como amar, como perder. Meus pais, sou muito grata por Deus ter escolhido vocês para me trazerem a esse mundo. Às minhas irmãs, obrigada pela imaginação. E ao meu marido e minha filha – vocês me ensinam todos dias como viver e como amar. Sou muito feliz por vocês serem a base da minha vida. Obrigada, Academia”. DAVIS, Viola.

Injustiça -
Ao meu ver, a francesa Isabelle Huppert ("Elle") deveria ter levado a estatueta para a França. Mas é aquele ditado, né? A Academia, nos últimos 15 anos, tem premiado jovens atrizes que podem despontar no mercado cinematográfico nos últimos anos. E a "felizarda" deste ano foi Emma Stone, que nem de longe fez uma atuação brilhante. O choro é livre! “Esquadrão Suicida”, da DC Comics, conquistou o Oscar de Maquiagem e Cabelo; “Animais Fantásticos e Onde Habitam”, o de figurino; “Mogli: O Menino Lobo”, o de efeitos visuais; “Zootopia”, o de animação; e “A Chegada, o de edição de som.

Lista dos Vencedores

MELHOR FILME
“A Chegada”
“Um Limite Entre Nós”
“Até o Último Homem”
“A Qualquer Custo”
“Estrelas Além do Tempo”
“La La Land – Cantando Estações”
“Lion – Uma Jornada para Casa”
“Manchester à Beira-Mar”
“Moonlight: Sob a Luz ao Luar”

MELHOR DIRETOR
Dennis Villeneuve, “A Chegada”
Mel Gibson, “Até o Último Homem”
Damien Chazelle, “La La Land – Cantando Estações”
Kenneth Lonergan, “Manchester à Beira-Mar”
Barry Jenkins, “Moonlight: Sob a Luz do Luar”

MELHOR ATOR
Casey Affleck, “Manchester à Beira-Mar”
Andrew Garfield, “Até o Último Homem”
Ryan Gosling, “La La Land – Cantando Estações”
Viggo Mortensen, “Capitão Fantástico”
Denzel Washington, “Um Limite Entre Nós”

MELHOR ATRIZ
Isabelle Huppert, “Elle”
Ruth Negga, “Loving”
Natalie Portman, “Jackie”
Emma Stone, “La La Land – Cantando Estações”
Meryl Streep, “Florence: Quem é Essa Mulher?”

MELHOR ATOR COADJUVANTE
Mahershala Ali, “Moonlight: Sob a Luz do Luar”
Jeff Bridges, “A Qualquer Custo”
Lucas Hedges, “Manchester à Beira-Mar”
Dev Patel, “Lion – Uma Jornada para Casa”
Michael Shannon, “Animais Noturnos”

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
Viola Davis, “Um Limite Entre Nós”
Naomie Harris, “Moonlight: Sob a Luz do Luar”
Nicole Kidman, “Lion – Uma Jornada para Casa”
Octavia Spencer, “Estrelas Além do Tempo”
Michelle Williams, “Manchester à Beira-Mar”

MELHOR FILME ESTRANGEIRO
“Land of Mine” (Dinamarca)
“A Man Called Ove” (Suécia)
“O Apartamento” (Irã)
“Tanna” (Austrália)
“Toni Erdmann” (Alemanha)

MELHOR ANIMAÇÃO
“Kubo e as Cordas Mágicas”
“Moana – Um Mar de Aventuras”
“Minha Vida de Abobrinha”
“The Red Turtle”
“Zootopia”

MELHOR ROTEIRO ORIGINAL
“A Qualquer Custo”
“La La Land – Cantando Estações”
“A Lagosta”
“Manchester à Beira-Mar”
“20th Century Woman”

MELHOR ROTEIRO ADAPTADO
“A Chegada”
“Um Limite Entre Nós”
“Estrelas Além do Tempo”
“Lion – Uma Jornada para Casa”
“Moonlight: Sob a Luz do Luar”

MELHOR TRILHA SONORA
“Jackie”
“La La Land – Cantando Estações”
“Lion – Uma Jornada para Casa”
“Moonlight: Sob a Luz do Luar”
“Passageiros”

MELHOR CANÇÃO ORIGINAL
Audition (The Fools Who Dream), “La La Land – Cantando Estações”
Can’t Stop the Feeling, “Trolls”
City of Stars, “La La Land – Cantando Estações”
The Empty Chair, “Jim: The James Foley Story”
How Far I’ll Go, “Moana – Um Mar de Aventuras”

MELHOR MONTAGEM
“A Qualquer Custo”
“La La Land – Cantando Estações”
“Até o Último Homem”
“Moonlight: Sob a Luz do Luar”
“A Chegada”

MELHOR FOTOGRAFIA
“A Chegada”
“La La Land – Cantando Estações”
“Lion – Uma Jornada para Casa”
“Moonlight: Sob a Luz do Luar”
“Silence”

MELHOR FIGURINO
“Aliados”
“Animais Fantásticos e Onde Habitam”
“Florence: Quem é Essa Mulher?”
“Jackie”
“La La Land – Cantando Estações”

MELHOR CURTA-METRAGEM
“Ennemis Intérieurs”
“La Femme et le TGV”
“Silent Nights”
“Sing”
“Timecode”
 

MELHOR DOCUMENTÁRIO EM LONGA-METRAGEM
“Fire at Sea”
“Eu Não Sou Seu Negro”
“Life, Animated”
“O.J.: Made in America”
“A 13ª Emenda”

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2011 por Natalia Araújo 2013 por Allan Penteado. Exclusivamente para o blog Manuscrito. Cópia parcial ou integral é totalmente proibida.