Precisamos falar sobre 13 REASONS WHY

Posted by Italo Stauffenberg Marcadores: , , , , , , , , , ,


Sim, precisamos discutir 13 Reasons Why, a nova série do Netflix, que tem produção executiva de Selena Gomez. Portanto, se você ainda não assistiu as 13 fitas de Hannah Baker, saia daqui. 
Alerta de spoiler na tela do seu notebook/smartphone.
Essa não é uma crítica a estrutura da série, mas ao que ela pretende refletir.


Hannah Baker (Katherine Langford) é bonita, cheia de vida e está despertando para novas experiências na adolescência. É nessa fase que ela conhece Jéssica Davis (Alisha Boe), uma aluna novata em sua escola. Elas se tornam grandes amigas e, com o passar do tempo, “adotam” em seu ciclo de amizades outro novato, Alex Standall (Miles Heizer). Até aí, tudo bem né?
O trio se torna inseparável e mantém como “escritório” (ponto de encontro) para contar os casos de “vida de M...” e falarem sobre as pessoas da escola, discutir atividades e tomar um bom chocolate quente, o Monet’s Café. Hannah, então, desperta uma atração pelo colírio adolescente Justin Foley (Brandon Flynn), um carinha do time de basquete.
Cedendo aos galanteios do rapaz, a moça decide ir a um encontro e lá tem a experiência do primeiro beijo. No entanto, Justin mostra para os amigos uma foto de Hannah em que ela está desconfortável. Isso foi motivo suficiente para que Bryce Walker (Justin Prentice), o capitão do time de basquete, divulgasse a fotografia para todos os alunos da escola e sustentasse que a garota tinha sido uma “vadia” e feito várias “brincadeiras sexuais” com Justin.
Curioso... Eu não sei se você já passou por isso ou conhece alguém que já teve que lidar com uma situação dessas na escola. A minha pergunta é: - O que você fez? Riu da fotografia e deu continuidade ao compartilhamento da foto para mais pessoas ou foi denunciar o caso para a direção da escola? Hum. O mais óbvio é que você tenha se comportado com passividade. Como não se tratava de você, mas do outro, o que isso importaria? A dor não era sua. Era dele. Ele que se resolvesse. É aí que tá o problema. É aí que começa um grande problema.
Apesar da má exposição, Hannah seguiu em frente como se nada tivesse acontecido. Esperou que seus dois “melhores amigos” a apoiassem, mas ela teve que se contentar com um “se você não quiser falar sobre isso, não tem problema. Vamos te respeitar”. Péssima escolha. Hannah queria falar sobre aquilo mesmo que ela dissesse abertamente que não queria. Todos querem falar. Falar é preciso.
O tempo passou e o trio foi conhecendo outras pessoas na escola. Hannah sempre fiel aos “amigos” decidiu dar espaço para que eles tivessem novas amizades. O que ela não esperava é que Alex e Jéssica lhes dessem um pontapé. Tá se lembrando de alguém assim? Talvez você já teve esse comportamento. Ou não. E o que fez para lidar com essa situação?
Com Alex no time de basquete e Jéssica nas cheerleaders, Hannah ficou sozinha.
Paralelo a esse ciclo de amizade, Hannah trabalhava em um cinema de bairro. Era atendente. Lá dividia as atividades com Clay Jensen (Dylan Minnette), um aluno da escola em que ela estuda. Meio que por osmose, os dois passaram a ter um relacionamento amigável, mas estavam longe de serem “melhores amigos”. Como todo garoto tímido e nerd, Clay ficou maravilhado com a beleza e o espírito aventureiro de Hannah. Sua timidez foi um ponto crucial para os eventos que aconteceriam pela frente.


E foi justamente trabalhando no cinema que Hannah descobriu que seus “melhores amigos distantes”, Alex e Jéssica, estavam namorando. Ela tomou um susto. Claro. Quem não tomaria? Ela deveria saber, não é verdade? Por que não contar? Eles eram um trio inseparável por mais que estivem "separados".
Eu não sei se isso acontece com você, mas será que em algum momento da sua vida, aquele(a) fulano(a) que era seu(ua) melhor amigo(a) e você deixou de andar com ele(a), passou a ser um(a) estranho(a) para você?
Foi assim que Alex e Jéssica fizeram com Hannah. Tente se colocar no lugar de Hannah ou desse(a) antigo(a) amigo(a). Será que você consegue, pelo menos, sentir a dor do afastamento que ele(a) sentiu?
Apesar do “puxão de tapete”, a doce Hannah decidiu seguir em frente. Outra vez. Aparentemente, era uma menina forte. Difícil de desabar em suas emoções. Apenas uma máscara. Sim, é o que muitas pessoas que enfrentam situações parecidas fazem. Colocam uma máscara para cobrir os olhos cansados de tanto chorar. Infelizmente, uma máscara não é capaz de cobrir uma alma dilacerada. E, digamos, é aí que mora o “grande problema”.
Tentando recuperar a aliança do trio, Hannah decide marcar novos encontros no Café Monet’s. Mas não teve sucesso. De repente, ela fica sabendo que Alex terminou com Jéssica. E a líder de torcida culpa Hannah por isso. Resultado? Amizade desfeita.
Confuso e decepcionado com algumas atitudes de Jéssica, Alex entra na “brincadeira” de alguns meninos da escola e participa de uma lista que coloca “rótulos” em algumas meninas. Para ele, Hannah tinha uma “bunda linda” e Jéssica o contrário. O intuito era chamar a atenção de Jéssica, mas isso tomou outras proporções.
Mais uma vez eu pergunto: - Será que você nunca teve que lidar com uma situação dessas na escola? Nunca rotulou ou aceitou com passividade o rótulo que alguém colocou sobre algum colega?
Hannah teve que aceitar os olhares maliciosos dos meninos e as piscadelas de inveja das outras meninas da escola. Ela carregava um rótulo: tinha o bundão. Talvez, se você que está lendo for mulher possa tentar compreender um pouco melhor o que isso significa. É bem difícil para uma mulher ter que lidar com a objetificação do seu corpo. Como deveria ser andar por um lugar em que todos os garotos te olham e pensam em sua bunda apenas como um objeto sexual? Bom, a resposta para isso, pelo menos na vida de Hannah, teve um desfecho.


Sabe aquilo que falei de uma “aparente” habilidade social de Hannah? Dela sempre “seguir em frente”? Pois é, de novo ela tomou essa decisão. Só que mais uma vez foi apunhalada pelo destino. Destino este que leva o nome de Tyler Down (Devin Druid), um garoto franzino e obcecado por fotografias. Ele se define "o paparazzo da escola" e não mede esforços para invadir a privacidade de alguns alunos só para satisfazer sua tara, de cunho sexual até. Foi numa dessas empreitadas que ele conseguiu registrar uma foto picante de Hannah e Courtney Crimsen (Michele Selene Ang), uma aluna nerd de descendência asiática que foi adotada por pais gays.
Ao contrário dos pais, Courtney não aceita que é gay por temer lidar com o preconceito que tanto ela quanto seus filhos poderiam sofrer caso ela viesse a se “aceitar” como lésbica. Ter uma imagem de lésbica na escola era inaceitável para Courtney. A solução seria associar Hannah a outra menina declaradamente gay. Como Hannah já estava “mal falada” na escola, receber mais uma acusação não seria problema, certo? Errado.
Parece até brincadeira, mas quem não já passou por isso na escola? Sabe aquele seu amigo bagunceiro? Na próxima bagunça da sala vamos pôr a culpa nele, pois todo mundo sabe que ele é bagunceiro. Mesmo que não tenha sido ele que causou a bagunça. Lembrou de um caso assim? E o que você fez?
Como se não bastasse, mesmo abalada emocionalmente com tantos reveses, Hannah decide sair com Marcus Cooley (Steven Silver), um garoto “aparentemente brilhante”. Presidente do conselho dos alunos e socialmente intocável, ela cogitou que talvez pudesse encontrar nele um abrigo seguro. Ele não teria como desapontá-la, pois seu “currículo” era invejável.
UOOOOW! Hannah enganou-se, pois tudo o que Marcus queria era tentar mostrar o “aquilo maravilhoso” dele para ela. Que decepção. Outra. Será que nessa escola só tem gente ruim? É, essa é uma pergunta difícil de responder.
Percebendo que alguma coisa estava errada, Zach Dempsey (Ross Butler), um garoto bem alto, de descendência asiática e filho de uma mãe super protetora e rica, decidiu acudir Hannah. Ele tentou se aproximar e ela até sentiu que ele era um garoto diferente dos demais, por mais que andasse o tempo todo com os mais “barra pesadas” da escola.
Zach tentou se aproximar, mas acuada e intoxicada de tantas ofensas causadas pelos meninos daquela escola, Hannha enxergou em Zach mais um idiota e o ignorou. É aí que surge outro problema. Por ser mimado, Zach é aquele tipo de garoto que não aceita ser contrariado. E, rapidamente, ele tratou de encurralar Hannah em algumas situações.
Isto a tornou mais vulnerável. Tão vulnerável que decidiu escrever um poema contando um pouco da sua dor e confiou a Ryan Shaver (Tommy Dorfman), um menino gay que cuida dos periódicos da escola, seus relatos de solidão e tristeza existencial. O que Ryan fez? Publicou o poema e expôs, mais uma vez, Hannah para seus colegas de escola.
Eu não sei se vocês perceberam, mas até agora não mencionei nenhuma atitude da direção da escola em que Hannah estudava. Por que será?
Será que a direção não percebeu que uma aluna estava sendo vítima de bullying? Será que a direção “não quis ver” isso? Ou será que os professores não estavam se importando com seus alunos, uma vez que eles são tão chatos que acabam desgastando seus mentores? É possível que em um mundo tão conectado por meio das redes sociais, o corpo docente de uma escola alegue que não consegue perceber bullying sendo praticado entre seus alunos? São perguntas que merecem nossa atenção.
A partir de agora, os eventos que se sucedem estão diretamente ligados a omissão da escola, dos alunos e dos pais. A passividade reina. E por não ser tomada alguma atitude relevante, muitas situações poderão desencadear desfechos terríveis.
Ao aceitar ir a uma festa na casa de Jéssica, Hannah se encontra com Clay e, aparentemente, as coisas vão bem. O clima entre os dois esquenta bastante, mas Hannah, que está totalmente marcada pela série de eventos que aconteceram em sua vida, rejeita a presença e o amor contido de Clay Jensen. Isso o deixa furioso, claro. Ele não sabe de nada. Melhor, ele não se interessa em manifestar opinião alguma para ela. Nem sobre os abusos que ela sofria constantemente. E, convenhamos, isso mata qualquer pessoa. E o “matar” não foi trocadilho.


Depois de pedir a retirada de Clay do quarto, Hannah presencia o estupro de Jéssica, que estava bastante alcoolizada. Aquilo a deixa extremamente abalada. Percebendo seu choque emocional, Sheri Holland (Alijona Alexus), uma das líderes de torcida da escola, a convida para uma carona até sua casa. No caminho, Sheri derruba uma placa que sinalizava “PARE” em um cruzamento. Ela foge do local e abandona Hannah, que ainda em choque por ter presenciado o estupro, sai daquele cruzamento e percebe um acidente. Tanto Clay quanto Hannah presenciam aquele incidente. Cada um toma uma atitude diferente e eles acabam por não se encontrarem naquela situação.
O acidente ceifou a vida de Jeff Atkins (Brandon Larracuente), um aluno da escola de Hannah que era mentorado por Clay. Eles não eram “melhores amigos”, mas Jeff se encarregou de tentar ajudar Clay em encontros românticos. Uma forma de compensar a ajuda dele em seus estudos. Clay ficou bastante abalado com a morte de seu pupilo e Hannah não teve coragem de contar para Clay que ela, indiretamente, foi responsável por aquele acidente. Como ela poderia falar algo, já que o havia dispensado na festa da casa de Jéssica?
Cansada de tantos problemas, tanto na escola quanto em casa, uma vez que seus pais estavam enfrentando problemas financeiros, Hannah decide dar uma volta no bairro e, ao andar e andar, chega na casa de Bryce Walker. Após algumas pessoas irem embora, Bryce surpreende Hannah na jacuzi e faz com ela o que fez com Jéssica. Ele a estupra. E por já não ter mais forças para lidar com tantos problemas, perseguições, chacotas e opressões, Hannah se cala. Como ela mesmo disse, “ela morreu ali”.


Mesmo arrasada e destruída emocionalmente, Hannah decide gravar 12 fitas em que contará toda a sua história. Cada fita é destinada para uma pessoa que direta ou indiretamente era responsável por sua atitude de dar fim a sua existência.
Após o termino das 12 fitas, Hannah decidiu dar uma nova oportunidade para si. Ela grava a 13ª fita. Nesta gravação, ela foi pedir ajuda para o conselheiro da sua escola, o Sr. Porter (Derek Luke).
Hannah sabia que precisava de ajuda. Ela foi atrás. Ela tentou contar para o Sr. Porter que tinha acontecido algo. Talvez, por despreparo ou descaso, (que acontece com frequência em muitas escolas), o conselheiro não atendeu as necessidades de Hannah. Ela saiu daquela conversa frustrada. Ela realmente esperava que alguém lhe ajudasse. Ninguém apareceu.
E por não ter a quem pedir socorro, Hannah decide por um fim.
É por isso que precisamos falar sobre 13 REASONS WHY.
Precisamos falar sobre suicídio, precisamos falar sobre bullying, precisamos falar sobre empatia.
Minha intenção não é apenas descrever em palavras a minha visão da série, mas causar uma reflexão. Será que não conhecemos ninguém que tem sido vítima de bullying? Será que não conhecemos ninguém que já tenha manifestado comportamentos suicidas? E o que temos feito por essas pessoas? Será que temos exercido empatia e nos colocado no lugar delas para ajuda-las? Ou será que temos apenas assistido de camarote a ruína dessas pessoas?
Hannah Baker tirou a sua vida. Isso foi uma escolha dela. Nesse processo, 13 situações aconteceram e foram fatores determinantes para que ela decidisse que não deveria mais existir. Tudo por que ela sentia que não havia ninguém para lhe ajudar. Ninguém se importava.
Ao assistir cada episódio, decidi dar nome a cada motivo, a cada uma das fitas de Hannah Baker. E a quem elas foram endereçadas.

1)      Boato sexual - Justin Foley
2)      Amizade desfeita - Jessica Davis 
3)      Rótulos - Alex Standall
4)      Invasão de Privacidade - Tyler Down
5)      Não Aceitação - Courtney Crimsen
6)      Falso interesse - Marcus Cole
7)      Ser contrariado - Zach Dempsey
8)      Quebra de confiança - Ryan Shaver
9)      Assistir um estupro - Justin Foley e Bryce Walker
10)   Omissão – Sheri Holland
11)   Marcas - Clay Jensen
12)   Sofrer um estupro - Bryce Walker
13)   Descaso - Sr. Porter

Aposto que você já deve ter participado ou visto alguns desses motivos.
Não podemos ser um “porquê”.
Precisamos dar um basta.
Não precisamos de respostas que tentem entender por que bullyings acontecem. Eles não precisam acontecer. Eles não devem acontecer.
Ao assistir a série percebemos que cada envolvido no suicídio de Hannah tenta se livrar da sua responsabilidade e muito disso está diretamente relacionado a personalidade de cada um. Tyler é um tarado. Courtney é lésbica. Marcus tenta sustentar a imagem de bom moço. Ryan é um idiota e arrogante. Zach é um idiota que tem o coração bom. Sheri foi covarde. Alex é um perdedor. Bryce é um estuprador. Jéssica é mesquinha. Justin é um aproveitador.
Vi que muitas pessoas não gostaram do fim da série, mas eu fui na contramão.
Percebi que cada envolvido na decisão final de Hannah teve o castigo que mereceu embora a série não tenha apresentado cenas que assegurem isto. Basta deduzir e imaginar.

1.       Jéssica teve que contar ao pai que foi estuprada e terá que enfrentar essa dolorosa situação de peito aberto para o mundo - (ela não queria isso);
2.      Justin perdeu a família, o melhor amigo Bryce e a namorada. Ele se recusava a aceitar algumas verdades por que tinha em Bryce um lugar seguro para fugir dos conflitos familiares. Para não perder algumas mordomias, ele decidiu não expor o estupro de Bryce em sua namorada - (ele ficou sozinho);
3.       Sheri teve que assumir seu erro e confessou à polícia que foi ela quem derrubou a placa e poderia ter causado o acidente que vitimou Jeff - (ela buscou a redenção);
4.       Bryce foi exposto como estuprador e vai ter que encarar judicialmente sua conduta - (ele vai responder por isso);
5.       Courtney “a contragosto” teve que assumir sua sexualidade - (ela teve que se aceitar);
6.       Tyler teve sua intimidade exposta da mesma forma que ele fazia com outras pessoas - (ele provou do próprio veneno);
7.       Ryan perdeu seu grande projeto de vida e seu principal trunfo para ingressar na faculdade, a revista Achados e Perdidos - (ele foi vítima da própria ambição);
8.       Mr. Porter foi desmascarado - (ele vai ter que assumir sua omissão de socorro);
9.       Alex, o aluno que apresentava maior comportamento suicida, deu um tiro em sua cabeça - (ele rotulou pessoa e se tornou um rótulo);
10.   Clay teve que suportar a ideia de que a sua omissão/comportamento passivo foi determinante para que Hannah não se declarasse. Se ele tivesse dito que a amava muita coisa poderia ter sido diferente...

Outra coisa que me chamou atenção nessa série foi a crítica velada ao armamento nos Estados Unidos. Quatro alunos (Justin, Jéssica, Tyler e Alex) tinham acesso fácil a armas de fogo. Dois eram filhos de militares e os outros dois adquiriam com facilidade revolveres.
Tyler me chamou ainda mais atenção. Ele tinha um baú cheio de armamentos pesados. Não é nem preciso lembrar que o massacre em Columbine, nos Estados Unidos, aconteceu por que dois alunos sofriam bullying e decidiram atear fogo em todas as pessoas que estavam na escola para se vingarem.
Não está descartada a hipótese de uma segunda temporada de 13 REASONS WHY devido ao enorme sucesso da atual temporada. O gancho de Tyler Down daria um bom enredo. Já conhecido de muitas pessoas, mas com certeza seria uma história bem interessante. Vamos ver se estou certo.

Finalizo com uma frase de Clay Jensen. Esta, para mim, define bem o que todas as pessoas devem sentir ao assistir a primeira temporada de 13 REASONS WHY: “Tem que melhorar a maneira que olhamos e tratamos os outros. Tem que melhorar!”.


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2011 por Natalia Araújo 2013 por Allan Penteado. Exclusivamente para o blog Manuscrito. Cópia parcial ou integral é totalmente proibida.